"Bloco de Esquerda aproveita largadas de touros para se promover na Azambuja", denuncia-se no título de uma publicação na página "Touro e Ouro", dedicada às atividades tauromáquicas. "O Bloco de Esquerda, partido político que por diversas vezes declarou ser anti-taurino, aproveitou a edição de 2019 da Feira de Maio na Azambuja, para se promover", reforça-se no texto.

"Na sua sede, no ‘Espaço Bloco’, instalado na Rua Victor Cordon, 74, local por onde passam e se realizam as largadas de touros, que levam milhares de aficionados e entusiastas à vila de Azambuja, o Bloco de Esquerda tem devidamente decorado um Burladero, como se pode ver na imagem, bem como tem recebido no seu espaço diversos membros da concelhia local, e amigos, que aí se têm divertido durante os eventos taurinos, segundo nos informam diversos aficionados locais", prossegue o autor do texto, não identificado.

E depois acrescenta: "Para alguns aficionados, esta é uma clara mensagem do Bloco de Esquerda, a reconhecer a força da tauromaquia, ainda que no seu cariz popular, faz arrastar milhares de aficionados até às localidades onde se realizam as largadas ou encierros, o que está claramente a ser aproveitado pelo partido político para se promover. 'O Bloco de Esquerda, se é contra a tauromaquia, poderia ter optado por uma forma de luta, e não pintar um Burladero com o seu símbolo, ou realizar mesmo convívios durante as largadas… Assim demonstram claramente que o que interessa é retirar aproveitamento de todas as situações que dêem visibilidade, ainda que afirmem que são contra as mesmas’, afirma um aficionado, que nos pediu anonimato, mas não deixa de se mostrar indignado com a situação, que apelida de ridícula".

Além desta publicação, a imagem em causa está a espalhar-se nas redes sociais, através de centenas de partilhas, algumas das quais com informações adicionais, nomeadamente quanto ao suposto "negócio" que o Bloco de Esquerda terá aproveitado também para fazer durante a Feira de Maio na Azambuja. "O Bloco de Esquerda é contra as touradas em Portugal, desde que não seja nas festas da Azambuja, que ainda dá para vender umas cervejas e fazer negócio", ironiza um internauta, a título de exemplo.

Esta imagem viral é autêntica? E, confirmando-se a autenticidade, pode concluir-se que o "Bloco de Esquerda aproveita largadas de touros para se promover na Azambuja"? Verificação de factos, a pedido de vários leitores do Polígrafo.

Importa ressalvar nesta questão uma componente de subjetividade, de interpretação do significado político da pintura do símbolo do partido na vedação. Mas o facto é que a sede do partido se situa permanentemente naquele local, onde se realizam "largadas de touros" durante alguns dias do ano.

De facto, a imagem é autêntica. Foi captada no passado fim-de-semana, durante as Festas de Maio da Azambuja que incluíram "largadas de touros".

Aliás, a estrutura local do Bloco de Esquerda confirmou a autenticidade da imagem, tendo emitido ontem um comunicado sobre a mesma, o qual passamos a transcrever:

"Nos últimos dias foi divulgada, através das redes sociais, uma imagem descontextualizada da sede do Bloco de Esquerda no concelho de Azambuja, com as portas abertas durante as festividades da Feira de Maio.

Em diversas publicações foi, inclusive, alegado que o Bloco de Esquerda terá vendido consumíveis alimentares e bebidas e organizado 'tertúlias tauromárquicas' na sua sede. Estas afirmações são falsas e partem de uma campanha de desinformação sobre a atividade e posição políticas do Bloco de Esquerda na Azambuja.

As Feiras de Maio juntam milhares de pessoas e constituem um momento central na vida do concelho. Nesse âmbito, o Bloco de Esquerda manteve as portas da sua sede abertas convidando quem por lá passasse a conhecer as propostas do partido ou a expor as questões que entendesse pertinentes.

A posição do Bloco de Esquerda sobre tauromaquia é pública e assumida pela estrutura local da Azambuja: defendemos o fim dos apoios públicos às atividades tauromáquicas por provocarem sofrimento nos animais envolvidos".

Em suma, embora a imagem seja autêntica, a interpretação que se faz da mesma não é fundamentada.

Importa ressalvar nesta questão uma componente de subjetividade, de interpretação do significado político da pintura do símbolo do partido na vedação. Mas o facto é que a sede do partido se situa permanentemente naquele local, onde se realizam "largadas de touros" durante alguns dias do ano. Ou seja, não foi movida para o local durante as festividades, simplesmente manteve as portas abertas, "convidando quem por lá passasse a conhecer as propostas do partido ou a expor as questões que entendesse pertinentes".

Tendo em conta essa subjetividade, as publicações em análise deveriam ser classificadas como "imprecisas". Mas a partir do momento em que difundem também informações falsas, nomeadamente a alegada "venda de cerveja" para "fazer negócio", resvala claramente para o terreno da falsidade e desinformação.

Avaliação do Polígrafo:

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