“A Polónia usa amêijoas para controlar o seu sistema de abastecimento de água. Esses bichinhos têm uma capacidade incrível de filtrar a água. Por conta dessa notável habilidade, cientistas decidiram confiar-lhes uma missão muito importante: monitorizar a pureza da água potável”, lê-se numa publicação de Linkedin com perto de 500 reações.

No mesmo post escreve-se que “a principal bomba de água de Varsóvia, uma cidade com quase dois milhões de habitantes, possui oito desses moluscos, que são os responsáveis ​​por medir a toxicidade da água.”

Segundo este texto, “depois de escolhidos, os cientistas determinam a abertura natural das suas conchas” e, “em seguida, conectam-nos ao controlador do sistema”. Por fim, “se as amêijoas detectarem sinais de água poluída, elas fecham imediatamente as suas conchas, o que aciona o alarme”.

Confirma-se?

Não são amêijoas, mas, de facto, há oito moluscos a ajudar a monitorizar o estado da água potável em Varsóvia: os mexilhões cisnes, um molusco bivalve da família Unionidae. A confirmação é dada ao Polígrafo por um dos investigadores que instalou este sistema de deteção de poluição aquática na bomba de água Gruba Kaska, conhecida como “Fat Kathy”, em Varsóvia, na Polónia, Piotr Domek.

Questionado sobre a eficácia da filtragem destes moluscos, o biólogo que implementou o projeto em parceria com a empresa Prote adianta que “os mexilhões da família Unionidae filtram eficazmente a água”, sendo que “um indivíduo adulto pode filtrar até sete litros de água por hora”. Além disso, acrescenta, estes animais “são extremamente sensíveis aos poluentes presentes na água”. Por isso, são utilizados “para controlar a água que será utilizada como matéria-prima para a água potável”, sempre sob supervisão humana.

E como funciona o sistema instalado na bomba de água Gruba Kaska localizada no Rio Vístula? O investigador da Universidade Adam Mickiewicz, em Poznan, explica que “há oito mexilhões, colocados num tanque, aos quais foram fixados sensores” que transmitem sinais para um computador. É a partir do ecrã desse computador que se pode ver se as conchas dos moluscos estão abertas ou fechadas. “Se a água tiver impurezas, as amêijoas fecham as suas conchas”, esclarece o biólogo, sublinhando que um sistema similar já tinha sido instalado 15 anos antes na cidade de Poznan.

Este tema chamou a atenção da cineasta polaca Julia Pelka que decidiu fazer um filme ("Fat Kathy") sobre o facto de “a vida de milhões depender de oito pequenos moluscos que trabalham no duro para detetar contaminação no abastecimento de água da cidade”.

Em suma, é verdade que há bivalves a serem utilizados para detetar poluição e monitorizar o estado da água em Varsóvia. No entanto, apesar de semelhantes em termos de aspeto às amêijoas, os moluscos utilizados são mexilhões de água doce.

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