A denúncia tem percorrido o Facebook e o Twitter na últimas semanas, sobretudo em contas internacionais. No entanto, também pode ser encontrada em língua portuguesa: “Bill Gates admite que a vacina, sem dúvida, matará 700.000 pessoas. Até agora o vírus matou cerca de 300.000 em todo o mundo. Alguém me pode explicar por que tomaria uma vacina que mata mais pessoas do que o vírus?”

Alguns dos posts que revelam a convicção do multimilionário sustentam-se numa hiperligação para um site de notícias argentino chamado Diario26, que detalha a afirmação, que terá sido feita numa entrevista ao canal norte-americano CNBC: “Fazer com que apenas 1 em cada 10 mil pessoas vacinadas morra seria um bom resultado segundo Gates. Mas como a vacina será obrigatória, os governos terão que se proteger de alguma forma e oferecer algum tipo de compensação devido ao número de pessoas que morrerão com a vacina Covid-19 que, na melhor das hipóteses, ultrapassará as 770.000.”

À margem das supostas afirmações, há dois factos a considerar: o primeiro é o de que o norte-americano já investiu várias centenas de milhões de euros, através da fundação que tem com a sua mulher, Melinda, para combater o vírus e desenvolver uma vacina contra a Covid-19; o segundo é o de que desde o início da pandemia o fundador da Microsoft tem sido vítima de inúmeras teorias da conspiração sobre a doença, a sua origem e as suas consequências.

Sendo assim, será que Bill Gates afirmou, de facto, numa entrevista à CNBC, que a vacina para a Covid-19 poderá matar 700 mil pessoas?

A resposta é não.

O que o magnata afirmou é substancialmente diferente daquilo que alegam as publicações. Por volta do minuto 11 da entrevista, a jornalista pergunta a Gates se acredita que existirá um fármaco em menos de 18 meses, ou seja, antes do final do ano de 2021. Gates responde que a vacina poderá surgir antes do prazo previsto, contudo é necessário “não criar falsas expectativas”, uma vez que “a vacinação em pessoas idosas é um grande desafio”.

É verdade que Gates deu uma entrevista à CNBC no dia 9 de abril, precisamente a propósito do trabalho que está a desenvolver para apoiar a criação de uma vacina para fazer frente à pandemia.

Porém, o que o magnata afirmou é substancialmente diferente daquilo que alegam as publicações. Por volta do minuto 11 da entrevista, a jornalista pergunta a Gates se acredita que existirá um fármaco em menos de 18 meses, ou seja, antes do final do ano de 2021. Gates responde que a vacina poderá surgir antes do prazo previsto, contudo é necessário “não criar falsas expectativas”, uma vez que “a vacinação em pessoas idosas é um grande desafio”.

O empresário prossegue, sublinhando que “necessitamos de uma vacina que funcione nos grupos etários mais elevados, porque é onde as pessoas correm maiores riscos, e de modo a que as pessoas mais velhas não sofram efeitos secundários. Uma em cada 10 mil pessoas sofre efeitos secundários, e isso implica que mais de 700 mil vão senti-los”. O cálculo feito por Gates tem como base um cenário onde se conseguiriam produzir 7 mil milhões de vacinas, uma por cada habitante do planeta. Posto isto, o filantropo estava a referir-se a números relacionados com os efeitos secundários e não com óbitos na sequência da vacinação.

Em conclusão, é falso que Bill Gates tenha afirmado que a vacina contra a Covid-19 poderá matar 700 mil pessoas. Em bom rigor, o que o fundador da Microsoft disse foi que, se uma em cada 10 mil pessoas sofre efeitos secundários depois da toma da vacina, 700 mil pessoas deverão senti-los.

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