"Jornal de 2011. Fica claro que o intuito de Bill Gates com as suas vacinas, 'depopulação através de vacinas: a solução zero carbono'. Detalhe, não se encontra nada sobre isso na Internet, mas esta senhora tinha guardado o jornal", descreve-se numa das publicações que exibe a imagem do suposto jornal, com o rosto de Bill Gates em destaque.

Esta alegação tem algum fundamento?

Importa começar por salientar que o jornal em causa, "The Sovereign Independent" , é conhecido por difundir teorias de conspiração, nomeadamente desinformação relacionada com as vacinas.

Colocando o enfoque na principal alegação, a "depopulação através de vacinação forçada" supostamente defendida por Bill Gates, trata-se de uma fake news que já circula desde há muitos anos nas redes sociais.

A origem ou inspiração desta história falsa reside numa apresentação de Bill Gates numa conferência TED que aconteceu realmente em fevereiro de 2010. Durante a palestra - intitulada como "Inovando para zero!" -, o fundador da Microsoft debateu sobre a importância de reduzir as emissões de dióxido de carbono na produção energética, de forma a combater o aquecimento global e melhorar as condições de vida para todos os países, especialmente para os países em desenvolvimento. Ao analisar a quantidade de CO2 libertado por cada cidadão, Bill Gates apelou à necessidade de "fazer alterações para trazer esse número para próximo de zero".

"Esta equação tem quatro fatores. Um pouco de multiplicação. Temos à esquerda o CO2, que queremos que chegue a zero, e isso baseia-se no número de pessoas, nos serviços que cada pessoa utiliza em média, na energia por cada serviço e no CO2 que é emitido por cada unidade de energia", afirmou.

Quando analisou a variante "Pessoas", Bill Gates começou por dizer que "há 6,8 mil milhões de pessoas no mundo atualmente e está a encaminhar-se para nove mil milhões”, acrescentando que “se fizermos um ótimo trabalho em novas vacinas, no sistema de saúde, serviços de planeamento familiar, poderíamos diminuir isso, talvez, em 10 a 15%. Mas vemos um aumento de cerca de 1,3%".

Ou seja, Bill Gates referiu que "se fizermos um ótimo trabalho em novas vacinas, no sistema de saúde, serviços de planeamento familiar, poderíamos diminuir isso, talvez, em 10 a 15%", como é citado na publicação em análise. No entanto, ao contrário do que se alega nas redes sociais (em múltiplas publicações ao longo dos anos), o filantropo está a referir-se a uma diminuição de "10 a 15%" no crescimento populacional previsto e não no número de pessoas existentes no mundo.

Esta acusação dirigida a Bill Gates não é nova. Já em março de 2017, a Snopes - plataforma norte-americana de fact-checking - desmentiu uma outra publicação que na altura também acusava o empresário e filantropo de ter admitido que as vacinas foram concebidas para que os governos pudessem reduzir a população mundial.

Concluindo, trata-se de uma ideia falsa e que deturpa as palavras de Bill Gates, assim como as suas iniciativas no âmbito da Bill & Melinda Gates Foundation, uma organização de apoio socialque tem investido na disponibilização de vacinas a crianças sem possibilidades financeiras e que habitam nos países em desenvolvimento.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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