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Bill Gates admitiu ter “uma das maiores pegadas de gases com efeito estufa do planeta”?

Sociedade
O que está em causa?
Na rede social X destaca-se uma suposta frase proferida por Bill Gates, multimilionário fundador da Microsoft, em que o mesmo admite que a pegada de carbono causada pelos seus voos privados é "gigantesca" e que é "provavelmente" detentor de uma das "maiores pegadas de gases de efeito estufa do planeta". Gates disse mesmo isto?

Está a ser difundido na rede social X um excerto de 15 segundos de uma entrevista dada por Bill Gates, o multimilionário fundador da Microsoft, ao programa “60 Minutos” em que o mesmo é citado: “Provavelmente tenho uma das maiores pegadas de gases de efeito estufa do planeta. Meu voo pessoal por si só é gigantesco”.

No seguimento da frase alegadamente proferida por Gates, chama-se a atenção para o “facto de nenhum destes globalistas não eleitos praticar o que pregam” e que isso deve ser a prova necessária para ver que “eles não acreditam realmente em nenhuma das armadilhas do #ClimateScam [fraude climática] que incessantemente impingem”.

“É apenas um pretexto para assumir o controlo de cada detalhe intrincado das nossas vidas, sob o mero pretexto de ‘salvar o planeta'”, conclui-se.

Mas o excerto do vídeo é real?

Sim. Trata-se de uma entrevista dada em 2021 em que Gates. Quando questionado pelo jornalista Anderson Cooper sobre se seria a pessoa certa para falar sobre ativismo climático tendo em conta os voos privados que fazia criando, ele próprio, um grande volume de gases de efeito estufa, o multimilionário assumiu que “provavelmente” possui “uma das maiores pegadas de gases de efeito estufa do planeta” e a pegada criada pelos seus voos privados era “gigantesca”.

No entanto, logo de seguida, Gates afirma que para compensar “gasta bastante” em combustível de aviação de origem vegetal para diminuir os gases emitidos. Detalha ainda que adquiriu um carro elétrico e painéis solares e que gasta cerca de 7 milhões de dólares por ano para compensar a sua pegada de carbono.

A contradição entre o que prega e o que faz tem sido notada e, como tal, esta não foi a última vez que Gates foi questionado nesse sentido.

Mais recentemente, em fevereiro de 2023, numa entrevista feita pelo jornalista Amol Rajan da BBC, o fundador da Microsoft foi questionado sobre se seria “um hipócrita” ao assumir-se um defensor das mudanças climáticas, mas manter as suas viagens pelo mundo de jato privado. Em resposta, Gates defendeu que não era “parte do problema” porque financiava a empresa suíça Climeworks para “fazer a captura direta de ar que excede em muito a pegada de carbono” da sua família e gastava milhares de milhões de “dólares em inovação climática”.

O multimilionário também nunca escondeu que mantém o seu uso frequente nos jatos privados que detém tendo inclusive assumido, há quase uma década no Reddit, que “possuir um avião é um guilty pleasure” e que ia “a muitos lugares para trabalhar na Fundação e não seria capaz de ir sem ele”.

Em suma, é verdade que Gates assumiu que a sua pegada de carbono é “gigantesca”, porém, o excerto do vídeo corta o que o multimilionário diz, logo de seguida, fazer para compensar esse gasto.

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Avaliação do Polígrafo:

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