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Bernardo Blanco: “Apesar de a imigração ter triplicado, o número de arguidos estrangeiros nos últimos 10 anos caiu para metade”

Política
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Em entrevista ao jornal "Observador", o deputado do Iniciativa Liberal defendeu a proposta do seu partido no sentido de que os relatórios anuais de segurança interna passem a incluir dados sobre a nacionalidade e género dos criminosos e das vítimas. Nesse âmbito indicou um exemplo com números que vão aqui ao teste do Polígrafo.
© Agência Lusa / José Sena Goulão

“Os dados não são discriminatórios. Para termos boas políticas públicas e um debate público informado, devemos fazê-lo com base em dados. E os relatórios da maioria dos países da União Europeia incluem dados de nacionalidades na maioria dos crimes”, começou por salientar Bernardo Blanco, em entrevista ao jornal “Observador”, defendendo a proposta do Iniciativa Liberal para que os relatórios anuais de segurança interna passem a incluir dados sobre a nacionalidade e género dos criminosos e das vítimas.

“Agora, o efeito só sei quando tiver os dados“, ressalvou o deputado liberal, questionado sobre a possibilidade de esses dados resultarem em títulos de notícias discriminatórios, na medida em que se poderão extrapolar determinadas estatísticas isoladas.

Nesse âmbito deu um exemplo. “Há poucos dados sobre criminalidade e população estrangeira, mas há dois: temos uma população prisional estrangeira que, em percentagem, é superior à população imigrante em Portugal. Poderíamos dizer, se fôssemos de extrema-direita que isto é uma vergonha, que os imigrantes cometem mais crimes, etc. Podemos olhar para o outro dado, dos arguidos, e ver que, apesar de a imigração ter triplicado, o número de arguidos estrangeiros nos últimos 10 anos caiu para metade. São dois dados que se calhar nos levariam a conclusões díspares, mas só há a possibilidade de estar aqui a dizer isto, porque efetivamente existem esses dados”, declarou Blanco.

Os números indicados estão corretos?

No que toca ao número de arguidos estrangeiros, os dados mais recentes compilados na página da Pordata correspondem ao ano de 2022. Portanto, sendo que os dados referentes a 2023 nesta matéria não estão ainda disponíveis, verificamos a janela de tempo compreendida entre 2012 e 2022.

Através da análise feita a este período de tempo verifica-se que o número de arguidos estrangeiros desceu de 14.487 em 2012 para 9.663 em 2022. Trata-se, portanto, de uma diminuição de 33,3%, ficando ligeiramente aquém da alegação feita por Blanco.

Com base no mesmo portal, e já com dados relativos a 2023, acedemos à informação referente ao número de estrangeiros residentes em Portugal. Verificamos que entre 2013 e 2023 registou-se um aumento de 160,3% no número de estrangeiros a residir em Portugal. Em 2013 contabilizavam-se 401.320 residentes estrangeiros e, em 2023, o número ascendia já a 1.044.606, não chegando portanto ao triplo.

Em suma, a alegação de Blanco em geral é verdadeira, mas não foi inteiramente rigoroso nos números ou percentagens que indicou.

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Avaliação do Polígrafo:

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