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Baterias de carros elétricos ardem com maior frequência do que os carros a combustão?

Sociedade
O que está em causa?
Numa publicação no Facebook destacam-se os vários problemas de um carro elétrico indicando que "só é enganado quem quer". O tema é recorrente nas redes sociais, tendo o Polígrafo verificado algumas destas questões, mas, neste caso, termina-se com a ideia de que as "viaturas elétricas deviam ser proibidas de estacionar em espaços fechados por as baterias arderem com frequência". Confirma-se que ardem mais do que as viaturas com motor a combustão?

Só é enganado quem quer“, começa por se destacar numa publicação divulgada no dia 31 de janeiro no Facebook, enumerando de seguida uma série de supostos problemas deste tipo de veículos.

As condicionantes dos carros elétricos, segundo o post, passam por serem alegadamente mais descartáveis após pequenos acidentes, incendiarem-se mais facilmente, reparações muito dispendiosas ou baterias “sensíveis a temperaturas limites muito altas e muito baixas”.

Aponta-se também que são “muito mais caros e com valores de retoma desvalorizados devido ao estado das baterias” e os “carregamentos rápidos fora de casa são mais onerosos que atestos de gasolina”.

Por fim, conclui-se: “Viaturas elétricas deviam ser proibidas de estacionar em espaços fechados por as baterias arderem com frequência.”

Mas será que em comparação com carros a combustão ardem mais?

Não. À medida que aumenta o número de carros elétricos em circulação, aumentam também os estudos e dados em relação a estes. Numa série de artigos do jornal britânico “The Guardian“, em que são desmontados alguns mitos em relação a carros elétricos, aborda-se o mito de que ardem com maior frequência.

De acordo com vários especialistas, consultados pelo jornal britânico, não há motivo para validar esse argumento quando, na realidade, tudo aponta para que seja até o contrário.

“Todos os dados mostram que os carros elétricos têm muito, muito menor probabilidade de se incendiarem do que o seu equivalente a gasolina”, disse Colin Walker, da organização “Energy and Climate Intelligence Unit”, citado pelo “The Guardian”. Esses dados podem até ser pouco expressivos – ou seja os carros a combustão arderem mais do que se sabe – porque os “incêndios em carros a gasolina ou diesel simplesmente não são relatados.”

Um relatório da União Europeia (UE), publicado em agosto de 2022, também rejeita essa alegada maior frequência de incêndios em carros elétricos. No documento, aponta-se que “as estatísticas atuais da Suécia indicam que a probabilidade de um incêndio em baterias de carros elétricos é inferior à probabilidade em veículos com motor de combustão (em relação ao número total de veículos)” e acrescenta-se que “algumas das causas mais frequentes de incêndio em veículos são incêndio criminoso, freios sobreaquecidos ou a combinação de líquidos inflamáveis”.

Mais, de acordo com as estatísticas de incêndios em parques de estacionamento e garagens na Noruega, foram registados 998 incêndios entre 2016 e 2018. Destes, 109 ocorreram devido a “equipamento elétrico” e 65 começaram em carros, sendo que apenas dois destes 65 eram carros elétricos.

“Algumas estatísticas internacionais estimam que existam atualmente cerca de cinco incêndios por cada 1,6 mil milhões de quilómetros percorridos por carros elétricos, em comparação com 55 incêndios por veículos convencionais na mesma quilometragem”, conclui o relatório da UE.

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Avaliação do Polígrafo:

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