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Basileia está a oferecer bilhetes aos sem-abrigo que prometam não regressar à Suíça?

Sociedade
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
Em várias publicações recentes nas redes sociais destaca-se que a cidade de Basileia, na Suíça, está a tentar remover as pessoas em situação de sem-abrigo das ruas, oferecendo viagens para outros países da Europa sob o compromisso de não regressarem. Verdade ou falsidade?

Método desumano de resolver o problema dos sem-abrigo. Basileia oferece bilhete só de ida a quem prometer não retornar“, alega-se num dos posts em causa, remetendo para uma notícia com o seguinte título: “Cidade suíça oferece bilhetes para qualquer lugar da Europa aos sem-abrigo que concordem em nunca mais voltar”.

Esta informação é verdadeira?

Sim. De acordo com o jornal diário suíço “20 Minutes“, em notícia de 22 de abril de 2021, “a cidade de Basileia está a oferecer vouchers de viagem para um destino europeu a pessoas [em situação de medicidade ou sem-abrigo] que concordarem em não regressar“.

“O serviço de migração de Basileia oferece um rail check e 20 francos suíços [cerca de 18 euros] a qualquer sem-abrigo que o solicite. Este voucher oferece uma viagem de comboio gratuita para qualquer destino europeu. No entanto, como confirma Toprak Yergu, porta-voz do Departamento de Justiça da Basileia, ‘os beneficiários devem comprometer-se por escrito a não voltarem à Suíça – pelo menos durante um determinado período de tempo. Se forem vistos novamente, correm o risco de serem expulsos do nosso país'”, lê-se no artigo.

Mais recentemente, a 29 de abril, o jornal “Le News” informou que, até então, um total de 31 pessoas sem-abrigo aceitaram a proposta das autoridades de Basileia: 14 provenientes da Roménia, sete da Bélgica, sete da Alemanha, dois da Itália e um de França.

Segundo o mesmo jornal, este é apenas mais um exemplo de medidas de remoção de pessoas sem-abrigo da Suíça, ao longo dos últimos anos. “Em 2014, uma mulher sem-abrigo, que vivia nas ruas de Genebra, foi multada em 500 francos suíços [cerca de 456 euros]. Incapaz de pagar a multa, a mulher foi detida durante cinco dias“, exemplifica-se.

Três polícias municipais e dois funcionários camarários são os protagonistas de um vídeo que circula nas redes sociais e que foi já partilhado por milhares de utilizadores do Facebook. Para fora do passeio, num espaço abrigado por um edifício envidraçado, foram arrastadas mantas, edredões e pedaços de caixas de cartão, que servem de cama para os sem-abrigo que ali pernoitam. A retirada é da responsabilidade da Câmara Municipal do Porto (CMP) e ocorre no sentido de uma “ação de limpeza urbana”. Verificação de factos.

Embora este incidente remonte a 2014, voltou a ser notícia em janeiro de 2021 quando o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos considerou que a pena era desproporcional. O tribunal decidiu que a mulher tinha “o direito, inerente à dignidade humana, de expressar a sua angústia e de tentar atender às suas necessidades através da mendigagem“.

A Suíça terá, assim, violado o Artigo 8º da Convenção Europeia dos Direitos Humanos que garante a proteção da vida privada e familiar. O país acabou por ter que indemnizar a mulher em cerca de 922 euros, por danos morais.

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Avaliação do Polígrafo:

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