"Ucrânia, Mariupol, 18 de abril de 2022. A bandeira soviética foi hasteada na chaminé da fábrica Ilyich em Mariupol pelos militares da DPR", lê-se num dos posts do Facebook que mostram a sequência de imagens em causa.

Outro exemplo, desta feita no Instagram, com uma mensagem em tom de ironia: "Numa área recém-ocupada em Mariupol, um soldado russo é visto aqui retirando a bandeira da Ucrânia e substituindo-a pela bandeira da Rússia. Não! Espera!"

"Enquanto isso, na segunda maior empresa metalúrgica da Ucrânia: A troca da bandeira ucraniana pela antiga bandeira soviética", descreve-se no Twitter, exibindo a mesma sequência de imagens.

Através de ferramentas de análise como a "TinEye" e a "InVID", porém, identificamos a origem destas imagens num vídeo que foi publicado no YouTube em março de 2015, num canal denominado como "VOXKOMM International" e com o seguinte título: "Hasteando a bandeira soviética em Donbass".

Na descrição do vídeo indica-se que a "brigada Prizrak, de militantes comunistas, ergue a bandeira soviética numa Debaltsev libertada". A cidade de Debaltsev situa-se a mais de 200 quilómetros de distância de Mariupol, ambas no sudeste da Ucrânia.

"Uma pesquisa no Yandex pelas palavras-chave em inglês 'Debaltsev + bandeira + URSS' mostrou como resultado um texto intitulado 'Uma derrota para os fascistas apoiados pelos EUA/NATO na Ucrânia' e com data de 24 de fevereiro de 2015", apurou a AFP Checamos, num artigo de verificação de factos sobre as mesmas imagens. "Em fevereiro de 2015, Debaltsev esteve no centro dos combates entre as tropas ucranianas e os separatistas pró-russos que combatiam no leste da Ucrânia. Em 18 de fevereiro do mesmo ano, o Exército ucraniano retirou parte de suas tropas em Debaltsev, que faz a junção entre os territórios separatistas das regiões de Lugansk e Donetsk".

Em suma, as imagens são reais, mas não foram captadas durante a presente invasão da Ucrânia por forças militares da Rússia, iniciada em fevereiro de 2022. A troca das bandeiras aconteceu em fevereiro de 2015, na cidade de Debaltsev e não em Mariupol. Também não foi efetuada por um soldado do Exército da Rússia, ao contrário do que se alega em várias publicações nas redes sociais.

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