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Banco de Portugal tem 1.700 funcionários, enquanto bancos centrais da Suíça e Suécia têm apenas 550 e 350 respetivamente?

Economia
O que está em causa?
Em recente publicação no Facebook estabelece-se uma comparação entre o Banco de Portugal e outros dois bancos centrais europeus (ainda que não façam parte do Eurosistema) no que concerne ao número de funcionários. Supostamente, os bancos centrais da Suíça e Suécia terão menos de um terço dos funcionários. Confirma-se?
© Shutterstock

“Para reflexão: 1.700 razões para o nosso atraso”, começa por se destacar no texto em causa, publicado a 26 de julho no Facebook. Serve de intróito à alegação de que “o Banco de Portugal tem cerca de 1.700 funcionários que ganham, em média, cerca de 5 mil euros por mês”.

Estabelece depois uma comparação com os bancos centrais da Suíça e Suécia, pretensamente mais comedidos no recrutamento de trabalhadores, embora ainda sejam responsáveis pela emissão das respetivas moedas nacionais – franco suíço e coroa sueca.

Isto porque, ao contrário de Portugal, não fazem parte do Eurosistema – constituído pelo Banco Central Europeu (BCE) e os bancos centrais nacionais dos países que adotaram a moeda única.

“O banco central sueco, que tem que gerir a emissão de uma moeda (a coroa sueca), tem 350 trabalhadores. O banco central suíço, que tem que gerir emissão de moeda e supervisionar um dos maiores sistemas bancários do mundo, tem cerca de 550 colaboradores“, aponta-se.

Os números indicados têm fundamento?

Começando pelo Banco de Portugal (BdP), de acordo com os últimos dados compilados pela Direção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP), registava um total de 1.691 trabalhadores no final de março de 2025.

Ao longo dos últimos anos, ou pelo menos desde 2019 (quando o BdP passou a ter que comunicar estes dados regularmente à DGAEP), o número de funcionários do BdP não tem variado significativamente – eram 1.658 sem setembro de 2019.

Aliás, o jornal “Público” noticiou que “entre 1999 e 2016, o número de funcionários do Banco de Portugal diminuiu 0,9%, quando no total dos bancos centrais da zona euro caiu 21,6%”. Ou seja, apesar da perda de competências para o BCE, no âmbito da moeda única, o BdP manteve praticamente o mesmo número de postos de trabalho.

Esta parte da alegação é verdadeira. De facto, o BdP tem cerca de 1.700 trabalhadores. O mesmo não se aplica à segunda parte da alegação que apresenta números extrapolados.

Na realidade, o Banco Central da Suécia (Sveriges Riksbank) reportou um total de 537 funcionários (dos quais 482 a tempo inteiro) no final de 2024, de acordo com o relatório anual de gestão. Ou seja, um número muito superior ao evocado na publicação sob análise.

Quanto ao Banco Nacional Suíço, os últimos dados referentes ao final de 2023 indicam um total de 999 funcionários (dos quais 910 a tempo inteiro), também um número muito superior.

Em suma, confirma-se que o BdP tem cerca de 1.700 funcionários, mas os números apontados para os bancos centrais da Suíça e Suécia estão incorretos. Como a diferença mesmo assim é significativa, validando a ideia subjacente à principal alegação, optamos pelo selo de “Impreciso“.

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Avaliação do Polígrafo:

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