O autor de um post de 27 de dezembro no Facebook começa por apontar para "o envelhecimento da população e a importância de um excedente da balança corrente, que corresponde ao empobrecimento ou enriquecimento do país através dos investimentos feitos além fronteiras".

Mas as dúvidas de leitores do Polígrafo (que pediram uma verificação de factos) incidem especialmente sobre o segundo parágrafo, no qual se alega que "a balança corrente portuguesa, com exceção de 2013 a 2019, e desde 1960, conheceu sempre um saldo negativo ou nulo".

"Ao contrário de um país como o Japão que prepara o futuro ao investir além fronteiras tendo em conta a redução da população ativa e o envelhecimento demográfico", compara. "A balança corrente portuguesa atingiu em 2022 um saldo negativo de 3,2 mil milhões de euros".

Importa começar por esclarecer em que consiste a balança corrente. A par da balança de capital, é uma das componentes da balança de pagamentos onde se regista a vertente real das transações entre os residentes e não residentes de uma economia. Acresce uma terceira componente que é a balança financeira, na qual se regista a vertente financeiras das transações.

De acordo com informação divulgada pelo Banco de Portugal (inclusive em vídeo), o saldo conjunto das balanças corrente e de capital indica se, num determinado período, uma economia teve capacidade ou necessidade de financiamento sobre o exterior.

Até 2011, Portugal teve necessidade de se financiar junto do exterior. No entanto, de 2012 a 2019, a soma dos saldos das balanças corrente e de capital foi positiva, o que significa que "Portugal apresentava capacidade de financiar o exterior. Contrariamente, em 2022 este saldo foi negativo, representando uma necessidade de Portugal se financiar no exterior", sintetiza-se na página do Banco de Portugal.

Mas o post sob análise refere-se exclusivamente à balança corrente, não ao saldo conjunto das balanças corrente e de capital. Nesse âmbito, é verdade que em 2022 se registou um saldo negativo de cerca de -3,2 mil milhões de euros.

Também é verdade que, com exceção do período 2013-2019 (quando se manteve em níveis positivos, chegando a superar o fasquia de +2 mil milhões de euros em três desses anos), o saldo da balança corrente foi sempre negativo ou nulo, mas não desde a década de 1960.

O facto é que entre 1985 e 1987, por exemplo, o saldo da balança corrente foi positivo, atingindo um pico de +690,7 milhões em 1986. O mesmo se aplica ao período entre 1966 e 1973, até à "crise petrolífera" (embargo da OPAEP) que marcou um ponto de inversão nesta balança.

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Avaliação do Polígrafo:

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