Nas redes sociais, em português do Brasil e inglês, dá-se a conhecer uma “iniciativa inspiradora”. As publicações, divulgadas no Instagram mas também no Facebook, colecionam milhares de visualizações e interações.
“Uma iniciativa inspiradora em Lisboa está a dar uma nova utilidade a antigos autocarros urbanos: eles foram adaptados para oferecer banhos quentes, kits de higiene, roupas limpas e apoio social a pessoas em situação de vulnerabilidade”, lê-se num destes “posts”.
Nesta conta brasileira, o alegado projeto é apresentado como uma ideia a seguir pelo Brasil: “Portugal mostra que criatividade e solidariedade podem caminhar juntas, transformando recursos antigos em soluções humanas e inovadoras. Pequenas ideias podem gerar grandes mudanças.”

Em todas as publicações, a iniciativa é atribuída à CRESCER – Associação de Intervenção Comunitária, de Lisboa. No site da organização há um separador especificamente dedicado aos projetos que desenvolve e onde não consta nenhum projeto de recuperação de autocarros para criação de balneários móveis.
Apesar de estas publicações estarem agora a surgir, já circulam alegações semelhantes pelo menos desde agosto de 2025, ou seja, precisamente há cerca de um ano. Na altura, o suporte visual era diferente, com imagens também geradas por IA, mas com um alcance substancialmente inferior.
Também a imagem que circula este ano é falsa. Apesar de os ângulos das alegadas fotografias serem diferentes, há sinais de IA em ambas: as pessoas que aparecem nas imagens parecem modelações 3D, a luminosidade é característica das imagens de IA e, de uma forma geral, imitam a aparência de um projeto real dos Estados Unidos, o LavaMaeX.
Em maio deste ano, numa outra publicação divulgada no Instagram, a CRESCER desmentia, na caixa de comentários, a existência deste projeto: “Esta notícia não é verdadeira e a Associação não desenvolve qualquer projeto desta natureza.” A mesma frase foi enviada como resposta à Agência Lusa este mês.
Em suma, é falso que existam em Portugal autocarros desativados reconvertidos em balneários móveis para pessoas em situação de sem abrigo.
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Avaliação do Polígrafo:


