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Autarquia de Gaia fez ajuste direto de 40 mil euros ao marido da ministra da Justiça “por um dia de trabalho”?

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O que está em causa?
Em recente publicação nas redes sociais destaca-se que a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia terá assinado um contrato por ajuste direto, no valor de 40 mil euros, com o escritório de advogados de Eduardo Paz Ferreira - apresentado como "marido da ministra da Justiça", Francisca Van Dunem -, "por um dia de trabalho". Verdade ou falsidade?

“Câmara de Gaia faz ajuste direto ao marido da ministra da Justiça. 40 mil euros por um dia de trabalho. Vamos todos ficar muito bem. Deixe-se estar em casa”. Esta é a mensagem da publicação em causa que já acumula milhares de partilhas nas redes sociais.

Verdade ou falsidade?

De facto, o referido contrato por ajuste direto foi celebrado entre o Município de Vila Nova de Gaia e a empresa Paz Ferreira & Associados no dia 14 de outubro de 2019.

O registo do contrato está inscrito no Base, portal de contratos públicos. O objeto do contrato consistiu em “prestação de serviços de emissão de pareceres no âmbito do apoio técnico jurídico e técnico financeiro” e o preço contratual foi de 40 mil euros. O prazo de execução, tal como destacado na publicação sob análise, foi de um dia.

Questionada pelo Polígrafo, fonte oficial da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia confirmou a adjudicação em causa. E explicou que esta prestação de serviços consistiu num “parecer jurídico no domínio do Direito Administrativo”, por um “dos mais reputados escritórios de advogados neste domínio”.

A mesma fonte esclareceu que se tratou de “uma defesa do município relativamente à contração de um contrato PAEL [Programa de Apoio à Economia Local], outorgada em 2011″, salientando que “independentemente de não ser no atual mandato, importa defender o município, o que fizemos.”

Questionada pelo Polígrafo, fonte oficial da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia confirmou a adjudicação em causa. E explicou que esta prestação de serviços consistiu num “parecer jurídico no domínio do Direito Administrativo”, por um “dos mais reputados escritórios de advogados neste domínio”.

Relativamente ao prazo de execução, a autarquia salienta que “não houve prazo alargado, correspondendo a prestação de serviços a um dia, o dia da entrega do parecer”. Deve porém sublinhar-se que o facto de no contrato estar inscrito um prazo de execução de um dia não quer necessariamente dizer que a tarefa tenha sido cumprida nesse espaço de tempo – é, aliás, altamente improvável que tal tenha acontecido, tendo em conta a natureza do trabalho em causa.

Deve porém sublinhar-se que o facto de no contrato estar inscrito um prazo de execução de um dia, isso não quer necessariamente dizer que a tarefa tenha sido cumprida nesse espaço de tempo – é, aliás, altamente improvável que tal tenha acontecido, tendo em conta a natureza do trabalho em causa.

A polémica sobre a contratação de Eduardo Paz Ferreira por organismos estatais não é nova. Já em abril de 2019, o contrato que assinou com o Ministério da Administração Interna – que lhe pagou 30 mil euros para contestar a posição do Tribunal de Contas (TdC), que recusou dar visto prévio a um conjunto de investimentos na rede de comunicações de emergência SIRESP – também foi contestado.

Nessa altura, questionado pelo jornal “Expresso”, o advogado e marido da atual ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, afirmou que “nunca” pensou deixar de firmar contratos com o Governo pelo facto de a sua mulher se sentar no Conselho de Ministros. E acrescentou: “Tendo a minha mulher como ministra da Justiça, nunca aceitaria nenhum convite do Ministério da Justiça ou de qualquer organismo que fosse dependente do Ministério da Justiça. Em relação a todos os outros ministérios, são apenas potenciais clientes. Se acharem que eu sou a pessoa certa, nunca me ocorreria recusar pela circunstância de a minha mulher ser ministra”.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Verdadeiro: as principais alegações do conteúdo são factualmente precisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações “Verdadeiro” ou “Maioritariamente Verdadeiro” nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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