“Cada vez mais perdem a vergonha e assumem serem também membros deste grupo criminoso neonazi”, lê-se numa publicação partilhada recentemente no X, exibindo o que será uma imagem do vereador Luís Forinho, alegadamente militante do Chega, numa reunião da Câmara Municipal do Entroncamento, no passado dia 3 de setembro.
A questão é que o autarca terá comparecido na referida reunião camarária exibindo uma t-shirt alusiva ao grupo de extrema-direita 1143, liderado por Mário Machado – tal como comprova um alegado post partilhado pelo próprio no Facebook.
Mas será a narrativa verdadeira?
De facto, segundo a informação que consta no site da Câmara Municipal do Entroncamento, Luís Forinho foi “candidato pelo Partido CHEGA às eleições Autárquicas de 2021”, tendo sido eleito vereador na sequência desse escrutínio. No entanto, apresentou em reunião da autarquia a “informação da desvinculação” do partido em abril de 2022, momento em que passou a ser vereador independente.
Facto é ainda que as imagens partilhadas na publicação analisada, referentes à reunião camarária do passado dia 3 de setembro, foram disseminadas pelo próprio Luís Forinho no Facebook, com a legenda: “Reunião de Câmara Municipal do Entroncamento, Vereador no combate à arrogância socialista.”
Reunião camarária essa que foi igualmente transmitida, na íntegra, na conta da Câmara Municipal do Entroncamento no YouTube, onde é possível identificar o vereador envergando a mesma indumentária (minuto 37’39).
O excerto divulgado pelo vereador foi ainda partilhado no X pela conta oficial do grupo 1143, com a seguinte descrição: “Luis Forinho vereador da Câmara Municipal do Entroncamento, és um dos nossos, obrigado!”
No vídeo, é possível identificar o vereador vestindo uma t-shirt igual à usada, no passado, por participantes na manifestação “Menos Imigração e Mais Habitação“, organizada pelo grupo de extrema-direita 1143 no dia 6 de abril deste ano, na cidade do Porto, segundo comprova uma fotografia captada pela agência Lusa.
Aparentemente não foi caso único, já que na passada quarta-feira a Lusa noticiou que o presidente da Câmara, Jorge Faria, pretende apresentar queixa ao Ministério Público pelo facto de este vereador ter usado a mesma peça de vestuário, que classificou como sendo de “propaganda neonazi“, na reunião do executivo desta terça-feira. Algo que motivou a suspensão da sua transmissão online no YouTube.
Ao Polígrafo, Luís Forinho começou por explicar que se “inicialmente o partido Chega serenou” em si “a sensação de ter encontrado um Partido Nacionalista“, acabaria por desvincular-se do mesmo “por questões meramente de cunho partidário”, o que lhe deu “a liberdade” de fazer as suas “escolhas” para o concelho no qual foi eleito “sem ter de submeter” as suas decisões “ao escrutínio do partido”.
Sentindo a necessidade de “encontrar uma base nacionalista de homens e mulheres de caráter e determinação”, o vereador independente disse ter encontrado depois “este grupo conhecido por 1143, onde os valores da nação, dos portugueses, homens e mulheres é enaltecido” e onde se sente “incluído”.
“Decidi então, para criar uma visibilidade e trazer à tona a importância da data da independência [de Portugal, no ano de 1143] e da luta do grupo, visto nos aproximarmos do 5 de Outubro e irmos festejar 881 anos de Nação, vestir a t-shirt do grupo com a data na frente e os símbolos de Portugal nas costas”, elaborou. Denunciando, para concluir, que tal ato motivaria, depois, a “habitual censura socialista” – fazendo aqui referência à decisão tomada pelo presidente da Câmara do Entroncamento, no âmbito do último dos encontros camarários citados, de “parar de transmitir a reunião [via] áudio e vídeo”.
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Avaliação do Polígrafo:

