A publicação em causa surgiu na página "Iniciativa Liberal - Gondomar", no Facebook, a 2 de abril. Foi denunciada como sendo falsa ou enganadora, daí a presente verificação de factos do Polígrafo.

"No passado dia 5 de março, Gondomar acordou com a emblemática Avenida da Conduta enfeitada de bandeiras alusivas ao centenário do Partido Comunista Português [PCP]. Nesse dia, o ainda presidente da Câmara Municipal de Gondomar, Marco Martins, insurgiu-se na rede social Facebook contra quem veio 'poluir visualmente as nossas avenidas', rematando que 'Gondomar não é a Coreia'", lê-se no texto, sob o título "Marco Jong-un, propaganda viral".

"Não é, com certeza, mas no centro de recobro do Pavilhão Multiusos, onde decorre a vacinação contra a Covid-19, parece. Após a toma da vacina, os gondomarenses têm sido presenteados com cerca de 30 minutos de propaganda do Executivo, com as imagens do 'querido líder', Marco Martins, a 'poluírem visualmente' a sala onde quem foi vacinado aguarda por eventuais efeitos secundários da vacina", descreve-se.

"Denunciamos esta situação porque não nos revemos neste aproveitamento do plano de vacinação, por parte de quem está circunstancialmente no poder. Há momentos para tudo e este deve ser de respeito por quem está a ser vacinado, não de propaganda política. Apelamos, assim, à não instrumentalização do plano de vacinação, com a paragem imediata da reprodução de vídeos institucionais da Câmara Municipal de Gondomar, promovendo uma imagem messiânica do seu presidente, no centro de recobro do Pavilhão Multiusos", conclui-se no post do Iniciativa Liberal de Gondomar.

  • Destruição de bandeiras ou outro material de propaganda de partidos políticos é crime?

    No âmbito das comemorações do seu centenário, o PCP instalou bandeiras com o símbolo do partido em várias localidades do país. José Pinto-Coelho, líder do Ergue-te (antigo PNR), difundiu entretanto um vídeo, gravado em Lisboa, no qual aparece um poste derrubado e uma bandeira do PCP a ser pisada e depois incendiada com um isqueiro. Na página "Chega - Queluz/Belas" surgiu um outro vídeo em que várias bandeiras do PCP também são pisadas. Estes atos podem constituir crime?

A ironia em torno de Kim Jong-un, "líder supremo" da Coreia do Norte, tem origem (ou inspiração) num outro post do próprio Marco Martins, presidente da Câmara Municipal de Gondomar (CMG), datado de 5 de março, no qual criticou a colocação de bandeiras do PCP em avenidas da cidade, no âmbito das comemorações do centenário do partido.

"Inqualificável, virem destruir o que trabalhamos para embelezar! Escudado pelos 'direitos políticos', não pode valer tudo. Pede-se bom senso e respeito pelo espaço público! Um partido que acha que pode fazer tudo, vem poluir visualmente as nossas avenidas. Se fosse do meu partido, também criticaria! Infelizmente, a legislação protege estes comportamentos e a Câmara nada pode fazer. Felizmente, os gondomarenses sabem que Gondomar não é a Coreia", escreveu o autarca socialista.

Quanto ao suposto vídeo de propaganda emitido no centro de recobro da vacinação contra a Covid-19, confirma-se?

Contactada pelo Polígrafo, fonte oficial da CMG confirma a existência do vídeo, emitido no centro de recobro, indicando que "tem uma duração de quase 16 minutos, de carácter meramente informativo e pedagógico que elenca, por um lado, medidas municipais tomadas única e exclusivamente em contexto Covid-19 (isto é, para fazer face à pandemia) e, por outro lado, aborda a importância da vacinação e os cuidados/regras de segurança a manter após a toma da vacina contra a Covid-19".

A mesma fonte garante que no vídeo não há "qualquer informação de teor propagandístico, dado que não são referidas quaisquer obras ou medidas da autarquia fora do contexto pandémico, nem tão pouco são mencionadas medidas do estilo 'prometido-cumprido' tão comummente associadas a publicações de propaganda e/ou campanha eleitoral", mas somente "ações desenvolvidas pelo ACES [Agrupamento de Centros de Saúde], pelas IPSS [Instituições Particulares de Solidariedade Social], pelos Bombeiros, pela PSP, pela GNR, pela Polícia Municipal e também pela Câmara e Juntas de Freguesia, no combate à pandemia".

Por outro lado, o presidente da CMG aparece mesmo no vídeo, mas num trecho com "duração inferior a dois minutos" e no qual "sugere apenas os cuidados a manter na luta contra o coronavírus SARS-CoV-2, sem mencionar medidas/investimentos por parte da autarquia".

Na resposta ao Polígrafo, a autarquia remeteu uma transcrição da mensagem proferida por Marco Martins no vídeo:

"Estamos aqui no Multiusos para, com muita esperança, receber a vacina. A vacina que todos desejamos e que todos ansiamos. Foi, por isso, que todo o Executivo Municipal deu instruções para o apoio à vacina e, em colaboração com o ACES, ser a principal prioridade. Isto só é possível graças à cooperação, graças ao esforço dos profissionais de saúde, que têm sido incansáveis. Mas a vacina, que vai servir para imunizar alguns, não chega e é por isso que temos de continuar, mesmo depois de vacinados, a usar a máscara, a cumprir o distanciamento físico e as regras de etiqueta respiratória. Continue a proteger-se. Por si e por todos. Chegamos aqui e vamos vencer o vírus, com a ajuda de todos nós e dos profissionais de saúde".

Em conclusão, o vídeo existe e está a ser emitido no centro de recobro do Pavilhão Multiusos de Gondomar, onde decorre a vacinação contra a Covid-19. A CMG admite que, numa parte do vídeo, "elenca (…) medidas municipais tomadas única e exclusivamente em contexto Covid-19", além de "ações desenvolvidas (…) também pela Câmara". O próprio Marco Martins aparece a discursar no vídeo, enaltecendo que "todo o Executivo Municipal deu instruções para o apoio à vacina".

No post do Iniciativa Liberal extrapola-se a situação, quase em forma de caricatura, mas não deixa de ser verdade que um vídeo de propaganda (e também conteúdo "informativo e pedagógico") está a ser emitido no centro de recobro da vacinação contra a Covid-19 em Gondomar.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Verdadeiro: as principais alegações do conteúdo são factualmente precisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Verdadeiro" ou "Maioritariamente Verdadeiro" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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