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Assunção Cristas tem debates violentos com António Costa, mas aprova mais de 70% das suas propostas?

Política
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
O Polígrafo mergulhou nos arquivos da Assembleia da República durante esta legislatura e chegou a conclusões interessantes sobre o sentido das votações dos vários partidos com representação parlamentar.

Sempre que há um debate quinzenal na Assembleia da República os focos de atenção centram-se em Assunção Cristas e António Costa. A elevada agressividade verbal entre a líder do CDS e o Primeiro-Ministro tem sido uma constante desde o início da legislatura, dando a entender que estamos perante dois partidos com líderes e pontos de vista absolutamente inconciliáveis. Ficou célebre o episódio em que Costa, durante um diálogo acalorado no Parlamento, acusou a presidente do CDS de racismo.

Costuma dizer-se que em política aquilo que parece é, mas este caso contraria a regra. Na verdade, o CDS de Cristas vota favoravelmente a grande maioria das propostas feitas pelo Governo e pelo Partido Socialista – mais do que as que o Partido Social-Democrata, cuja relação com o chefe do Executivo é bem menos tensa, aprova.

O Polígrafo foi aos arquivos do Parlamento e investigou o sentido de voto de todos os partidos entre o início da legislatura e o dia 30 de abril passado. Veja algumas das conclusões mais curiosas que tirámos:

  • O CDS, cuja líder se tem destacado pela tensão com António Costa (e que é vista como a “verdadeira líder da oposição”), votou favoravelmente 73,5% das propostas do PS. Das 769 propostas dos socialistas, o CDS apoiou 565 e só votou contra em 12,2% das ocasiões (94 vezes)
  • A “boa vontade” do CDS não é correspondida pelo PS, que votou favoravelmente apenas 57% das iniciativas do CDS (451 das 791 apresentadas)
  • Quanto ao PSD, o PS só esteve contra as suas propostas em 232 ocasiões, sendo que o PSD apresentou 957 propostas (63,5% de taxa de aprovação)
Debate quinzenal na Assembleia da República
MÁRIO CRUZ/LUSAcréditos: © 2019 LUSA – Agência de Notícias de Portugal, S.A.
  • Apesar de em termos discursivos assumir uma distância quase radical em relação à esquerda radical, a verdade é que o CDS aprovou 488 iniciativas (45,2% do total) do Bloco e 413 do PCP (43,1% do total)
  • O Bloco de Esquerda, que detesta o PSD e que fez tudo por tudo para o colocar de fora do Governo, aprovou 567 iniciativas do PSD (61,4% da totalidade). E só votou contra em 24,5% das ocasiões (244 em 957 ocasiões)
  • O PSD, apesar de ser o principal partido da oposição, concordou com o PS em 72% das ocasiões (552 votos a favor em 769 propostas) e rejeitou apenas 12% das propostas do Governo (95 em 769)
  • O PSD aprovou menos iniciativas do Bloco do que o contrário: 43,1% da totalidade (466 em 1080)
  • Uma surpresa: o PCP concordou em mais de metade das ocasiões com o CDS: 52,6% de aprovação (416 em 791 propostas). Só votou contra o CDS em 264 ocasiões)

Avaliação do Polígrafo SIC:

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