"A Associação Internacional de Homeopatia divulgou fórmulas homeopáticas de proteção contra Covid-19. A Dra Raquel Costa juntamente com a Farmácia Melo, criaram uma "vacina homeopática" de proteção e ataque aos sintomas deste vírus", indica-se na publicação.

"Esta fórmula está a ser usada na Alemanha com um enorme sucesso. Juntamente com Vitamina C não ácida, Astragalus e Zinco. A nossa Ervanária tem este protocolo e podemos colocar à vossa disposição em casa através dos CTT-Express", acrescenta-se.

Verdade ou falsidade?

O Polígrafo questionou Raquel Costa, homeopata e terapeuta em medicinas não tradicionais, a qual sublinha que não se criou uma vacina. "Em colaboração com as entidades homeopáticas, desenvolvemos uma fórmula, juntamente com a farmácia, e estamos a disponibilizá-la ao público. Em homeopatia utilizamos o termo vacina porque se utilizam as castas ou os princípios ativos do próprio vírus para estimular o sistema imunitário para alertar o vírus", afirma.

Raquel Costa diz também que a publicação entretanto foi retirada e que não pretendia induzir ninguém em erro com o termo "vacina", uma vez que o único propósito era o de ajudar as pessoas.

"Está a ser usada com sucesso profilático, não atua no vírus. Todo o princípio homeopático assenta nisso. Todo o conceito visa estabelecer ou utilizar castas ou tudo o que deriva de plantas, de animais ou de vírus e são utilizados o seu princípio homeopático, que é uma molécula energética. E a partir daí há uma estimulação do sistema imunitário, o corpo recebe uma informação energética de uma possível invasão. A partir daí o sistema imunitário é reforçado", defende.

Numa declaração enviada por e-mail ao Polígrafo, Alexandre Ferreira de Almeida, diretor técnico da Farmácia Melo, nega categoricamente qualquer envolvimento neste processo. E sublinha que a Farmácia Melo está "no mercado há 40 anos sem qualquer incidente associado às suas boas práticas."

Numa declaração enviada por e-mail ao Polígrafo, Alexandre Ferreira de Almeida, diretor técnico da Farmácia Melo, nega categoricamente qualquer envolvimento neste processo. E sublinha que a Farmácia Melo está "no mercado há 40 anos sem qualquer incidente associado às suas boas práticas."

Relativamente à propalada utilização desta fórmula na Alemanha, o facto é que não encontrámos nenhuma evidência de que tal seja verdade.

O Polígrafo contactou também António Vaz Carneiro, médico especialista em Medicina Interna, o qual considera que "todo este texto é típico da homeopatia. A homeopatia oferece, entre outras coisas, curas para mais ou menos tudo. Uma das coisas que eu costumo dizer aos meus alunos: quando uma intervenção trata dezenas de doenças, essa intervenção é uma fraude. É um disparate colossal. É mais um texto sem qualquer tipo de base científica que se está a aproveitar do enorme alarme social que o novo coronavírus está a provocar. E o que mais me revolta é exatamente isto - estas pessoas são oportunistas. Percebem que o público está com medo e tentam ganhar dinheiro à custa disso".

"Não há nenhuma evidência que a homeopatia reforce o sistema imunitário. O sistema imunitário é estável na maior parte dos doentes, a não ser que tenha alguma doença que o diminua. É habitualmente muito eficaz e não precisamos de o estimular. Nós temos toda a capacidade na nossa medula óssea de gerar os anticorpos necessários para o nosso dia-a-dia", explica Vaz Carneiro.

Em suma, a alegação de que as fórmulas homeopáticas são eficazes na proteção contra a Covid-19 não tem sustentação factual nem validade científica.

Nota editorial: este artigo foi atualizado às 20h08 do dia 22 de março com a introdução das declarações do diretor técnico da Farmácia Melo, Alexandre Ferreira de Almeida. A avaliação não sofreu alteração.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

Na escala de avaliação do Facebookeste conteúdo é:

Falso: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações “Falso” ou “Maioritariamente Falso” nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafoeste conteúdo é:

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