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Porquê o VAR chamou se o juiz não cometeu erro de identificação? O VAR chamou para ver uma simulação, mas isso não existe para isso no meio campo. Chamaram o VAR para uma situação que não é situação de VAR!!!
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Esta é uma de várias publicações nas redes sociais que contestam a intervenção do VAR no Argentina-Suíça desta madrugada, para os quartos de final do Campeonato do Mundo, jogo que qualificou os sul-americanos para as meias-finais da competição.
Recorde-se o lance: aos 69 minutos, numa bola disputada entre Embolo (Suíça) e Paredes (Argentina), o jogador suíço cai com aparato no chão. O árbitro – o português João Pinheiro – assinala falta do atleta argentino e mostra-lhe o cartão amarelo. A seguir, João Pinheiro é chamado a rever o lance pelo VAR e inverte a decisão: marca falta contra a Suíça por simulação de Embolo, retira o cartão amarelo a Paredes e aplica-o ao avançado suíço que, como já tinha um primeiro amarelo (aos 44 minutos) é expulso por acumulação. A seleção europeia vê-se, assim, com menos um jogador a partir do meio da segunda parte.
A visualização repetida do lance permite perceber que, de facto, Embolo encena uma falta e o respetivo efeito, após um contacto que é promovido por si e que existe por se ter atirado para o relvado e na respetiva trajetória.
O protocolo do VAR autorizava-o a intervir neste lance?
Até ao ‘Mundial 2026’, não. Uma simples falta que não implicasse a marcação de uma grande penalidade ou a expulsão de um jogador estava fora da esfera de ação deste auxiliar de arbitragem.
Porém, o International Football Association Board (IFAB) introduziu novas regras e mudanças no protocolo do VAR para a época 2026/27, mas já com aplicação para este Campeonato do Mundo. Uma delas é centrada na identificação trocada de um jogador quando recebe um cartão amarelo ou vermelho, situação que passou a integrar o âmbito de intervenção do VAR. E abrange, contrariamente à convicção de muitos adeptos de futebol, não apenas os lances em que o destinatário do cartão foi trocado no quadro da mesma equipa (exemplo: um cartão amarelo devia ter sido mostrado ao jogador A da equipa X, em vez de ao jogador B da equipa X), mas também aqueles em que os protagonistas são de equipas diferentes, ou seja, propiciando decisões que, na prática, mudam o veredito sobre a equipa que cometeu a falta, permitindo invertê-lo. Trata-se assim de um alargamento da esfera de ação do VAR que não se limita ao que parece ser o seu conceito original, o do plano disciplinar (destinatário do cartão) – “Mistaken identity reviewable/Identificação errada é passível de revisão” – mas tem potencial de interferir também na própria decisão sobre o lance em si (plano técnico, quem fez a falta) – “by another player of either team/por outro jogador de qualquer uma das equipas”.
Este é o texto original do IFAB e tradução sobre esta mudança:
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Video assistant referee (VAR) protocol
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. Mistaken identity reviewable when a player is shown a yellow/red card but the offence for which the card was shown was committed by another player of either team
A identificação errada é passível de revisão quando é mostrado um cartão amarelo ou vermelho a um jogador, mas a infração que motivou a exibição do cartão foi cometida por outro jogador de qualquer uma das equipas
(…)
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Nota: bold da edição
Depois de rever o lance, a decisão final cabia sempre a João Pinheiro, sendo certo que, atendendo às novas regras e à chamada do VAR, o árbitro de Braga não poderia deixar os dois jogadores sem cartão amarelo, ou seja, teria de:
. manter a decisão da falta e do cartão amarelo a Paredes
ou
. anular a falta e o cartão amarelo a Paredes, passando a mostrá-lo a Embolo por simulação (sugestão do VAR, que aceitou)
Desta forma, é falso que intervenção do VAR no lance que originou a expulsão de Embolo não cumpra o protocolo deste meio auxiliar de arbitragem (exorbitando-o). Ela está enquadrada pelo alargamento do âmbito do VAR, em vigor desde o presente Campeonato do Mundo.
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Avaliação do Polígrafo Futebol: