No dia 26 de agosto de 2019, o Polígrafo analisou uma publicação que apresentava um gráfico com a evolução em números da área ardida (em quilómetros quadrados) na Amazónia brasileira, entre 2003 e 2019, indicando que no presente ano é muito inferior em comparação com os anteriores.

Nos anos de 2004, 2005 e 2007, de facto, registaram-se picos na área ardida, com números acima de 150 mil quilómetros quadrados, de acordo com os dados oficiais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) que pode consultar aqui. Não obstante, no gráfico em análise comparavam-se números totais dos anos entre 2003 e 2018 com números parciais referentes ao ano em curso de 2019, induzindo os leitores em erro e gerando desinformação.

Mais, os dados de 2019 incluídos no gráfico eram referentes ao período entre janeiro e julho, não incluindo o mês de agosto em que se verificou um enorme acréscimo de incêndios na Amazónia. Como tal, concluímos que a  publicação em análise representava um exemplo de como é possível utilizar dados verdadeiros para reproduzir desinformação: ou descontextualizando, ou omitindo informação fundamental, ou traçando comparações manipuladas e cientificamente erradas - não tendo ainda os dados totais de 2019, a comparação com os anos anteriores teria que ser feita no âmbito do período homólogo dos sete primeiros meses de cada ano.

Entretanto, o INPE já disponibilizou os dados referentes a agosto de 2019. E confirma-se desde logo o enorme acréscimo de incêndios (e correspondente área ardida) na Amazónia, passando de um total de 18.629 km2 (entre janeiro e julho de 2019) para um total de 43.573 km2 (entre janeiro e agosto de 2019). Ou seja, a área ardida mais do que duplicou durante o mês de agosto.

Comparando os números parciais de 2019 com os números totais dos anos anteriores, tal como se fazia no referido gráfico (mas omitindo esse facto e induzindo assim os leitores em erro, voltamos a salientar), podemos agora concluir que a área ardida na Amazónia em 2019 (entre janeiro e agosto) já é maior do que em todo o ano de 2018, quando se cifrou em 43.171 km2. O mesmo se aplica aos anos de 2013 (36.009 km2 no total) e 2011 (40.557 km2 no total).

Em agosto de 2019 registou-se um total de 24.944 km2 de área ardida na Amazónia, o número mais elevado (referente aos meses de agosto) desde 2010, quando ascendeu a 43.187 km2. Analisando os dados do INPE, ao longo dos anos, verificamos também que a área ardida na Amazónia costuma ser maior durante os meses de agosto a dezembro. Em 2018, por exemplo, cerca de três quartos do total de área ardida foram registados nesses cinco meses do ano.

Avaliação do Polígrafo:

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