Embora ressalve que "apoia totalmente as energias renováveis e até os veículos elétricos", a protagonista do vídeo considera que não é uma "solução sustentável" e pode mesmo "causar mais danos ao ambiente". Nesse sentido aponta para a inexistência de centros de reciclagem de baterias de lítio na Califórnia - onde têm ocorrido apagões de eletricidade e circulam mais de meio milhão de veículos elétricos -, e sublinha que "apenas 10% dos materiais das baterias de carros elétricos são recicláveis", nos escassos centros de reciclagem disponíveis nos EUA. Ou seja, "o restante irá para aterros sanitários".

"Isto pode causar mais danos ao nosso planeta nos próximos 10 anos do que os combustíveis fósseis provocaram em 100 anos. (...) Pesquisem como o lítio é extraído. É devastador e atualmente não pode ser reciclado", acrescenta na publicação datada de 9 de junho.

A ideia de que as baterias de automóveis elétricos têm um prazo de validade muito diminuto tem sido recorrentemente difundida nas redes sociais, em múltiplas línguas. Aliás, recentemente, o Polígrafo classificou como falsa a alegação de que "os carros elétricos não valem nada após oito a 10 anos porque as baterias deixam de funcionar".

A propósito desse fact check, o engenheiro Paulo Almeida, da Área Departamental de Engenharia Eletrotécnica, Energia e Automação (ADEEEA) do Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL), explicou ao Polígrafo que as baterias dos automóveis elétricos, na grande maioria, "têm capacidade para fazer cerca de 500 ciclos de carga/descarga". O que se traduz "numa vida útil (mais de 75% da capacidade inicial) de oito a 10 anos e 150 a 200 mil quilómetros". Ou seja, "o fim da vida útil de uma bateria num veículo elétrico atinge-se quando esta apresenta uma capacidade menor que 75% da capacidade inicial".

No entanto, é uma extrapolação concluir que todos os automóveis elétricos "não valem nada após oito a 10 anos". A maioria dos fabricantes apresenta uma garantia correspondente a esse período, mas o automóvel continua a funcionar, embora a bateria necessite de ser carregada com maior frequência, uma vez que perde alguma capacidade de autonomia.

Por outro lado, segundo informou o Automóvel Clube de Portugal (ACP), existe também a possibilidade de alugar baterias e há cuidados que devem ser tidos em conta para que a bateria de um veículo elétrico seja preservada, tal como não deixar que esta descarregue totalmente e realizar carregamentos até ao limite dos 80%.

Relativamente à questão da reciclagem, sob enfoque no vídeo, o facto é que embora não existam centros de reciclagem de baterias de lítio na Califórnia, essa capacidade está disponível noutros Estados, desde logo no vizinho Nevada, pelo que não faz sentido concluir que pura e simplesmente não se recicla.

Em declarações ao "PolitiFact", jornal norte-americano de verificação de factos, Alissa Kendall, professora de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade da Califórnia, sublinhou que esse é um detalhe "particularmente irrelevante", na medida em que existem "muitas coisas que se reciclam ou processam na economia dos EUA que não têm instalações em cada Estado". Mais, assegurou que há acordos com outros Estados em que estes centros existem para a recolha e reciclagem de baterias ao nível nacional.

Segundo Kendall, há várias formas de reciclar baterias de automóveis elétricos e todas garantem uma recuperação substancial dos materiais, numa percentagem bastante superior aos 10% que são evocados no vídeo. Os métodos mais utilizados consistem na trituração dos componentes de lítio da bateria em pequenos pedaços e a sua separação dos restantes materiais. Possibilitam a recuperação de entre 90% a 95% de cada bateria.

Além disso, Kendall esclarece que mesmo o pior impacto ambiental possível das baterias de iões de lítio não deixará de ser, à partida, menor do que o causado pelos combustíveis fósseis.

"Embora certamente possamos melhorar as práticas de mineração e os sistemas de reciclagem para todos os materiais e produtos, existem muito poucos meios através dos quais a extração e refinação de petróleo e gás é menos prejudicial do que a extração de lítio para baterias de automóveis elétricos", assegura.

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