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António Vitorino: “UE gasta €211 mil milhões em Defesa por ano e EUA gastam mais de €800 mil milhões”

Política
O que está em causa?
Em entrevista ao jornal "Público", o antigo diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM) sublinha que "vai ser necessário aumentar o investimento em Defesa", apontando para a enorme diferença entre os gastos da União Europeia no seu conjunto e os dos EUA.
© Agência Lusa / José Sena Goulão

Militante do PS, ex-ministro da Defesa Nacional, antigo Comissário Europeu, entre outros cargos, António Vitorino falhou a reeleição como diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM) em maio de 2023. Entretanto foi um dos coordenadores do relatório “Europa 2040 – O futuro é já hoje”, apresentado em Bruxelas a 25 de março por um grupo de personalidades ligadas às instituições da União Europeia. E foi esse o pretexto para a entrevista ao jornal “Público” na edição de hoje, 16 de abril.

Questionado sobre se devido à “ameaça” da Rússia, “a Europa deixou de poder contar apenas com o seu soft power“, Vitorino diz crer que “a invasão russa da Ucrânia criou uma mudança na opinião pública europeia e que, hoje, a compreensão da necessidade de combinar soft power com hard power é muito mais aceite. É o primeiro requisito, sem o qual não se pode fazer nada”.

Neste âmbito importa esclarecer que soft power corresponde em geral a formas de poder diplomático, influência política e cultural, prestígio internacional, num sentido de cooperação; ao passo que hard power corresponde em geral a formas de poder militar e económico num sentido de coerção.

Posto isto, Vitorino sublinha que “em matérias de Defesa temos de ser realistas”, na medida em que “recuperar as capacidades militares não se faz do dia para a noite” e “exige um plano estratégico”. Nesse âmbito realça que há “prioridades” como “fortalecer a base da indústria de Defesa”.

Na perspetiva do antigo governante do PS, “há que fazer um investimento significativo”. Desde logo porque “nós, europeus, gastamos em conjunto cerca de 211 mil milhões de euros em Defesa por ano“, enquanto os Estados Unidos da América (EUA) gastam “mais de 800 mil milhões por ano”.

Estes números têm fundamento?

Sim. De acordo com os últimos dados recolhidos pelo Instituto Internacional de Investigação para a Paz de Estocolmo (SIPRI), a despesa dos EUA em Defesa no ano de 2022 ascendeu a cerca de 877 mil milhões de dólares norte-americanos (cerca de 825 mil milhões de euros, à taxa de câmbio atual).

Por seu lado, também no ano de 2022, a despesa do conjunto dos 27 Estados-membros da União Europeia em Defesa ascendeu a cerca de 240 mil milhões de euros, de acordo com os últimos dados recolhidos pela Agência Europeia de Defesa (EDA).

Este valor global de 240 mil milhões de euros é o mais elevado de sempre e resulta de oito anos consecutivos de aumento da despesa dos Estados-membros da União Europeia em Defesa. Praticamente desde 2019 que os gastos em Defesa superam a fasquia de 200 mil milhões de euros. Quanto aos EUA, estão acima da fasquia de 800 mil milhões desde 2021.

No seio da União Europeia, os maiores aumentos de despesa em Defesa no ano de 2022 registaram-se na Suécia (+30,1%), Luxemburgo (+27,9%), Lituânia (+27,6%), Espanha (+19,3%), Bélgica (+14,8%) e Grécia (+13,3%).

Apesar de ter atingido o valor nominal mais elevado de sempre em 2022, o investimento em Defesa pela União Europeia permanece aquém do objetivo de equivaler a 2% do Produto Interno Bruto (PIB) – fixou-se em 1,5% do PIB, tal como nos dois anos anteriores, ao passo que nos EUA ascendeu a 3,3% do respetivo PIB.

Em Portugal não vai além de 1,4% do PIB, abaixo da média da União Europeia.

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UE

Este artigo foi desenvolvido pelo Polígrafo no âmbito do projeto “EUROPA”. O projeto foi cofinanciado pela União Europeia no âmbito do programa de subvenções do Parlamento Europeu no domínio da comunicação. O Parlamento Europeu não foi associado à sua preparação e não é de modo algum responsável pelos dados, informações ou pontos de vista expressos no contexto do projeto, nem está por eles vinculado, cabendo a responsabilidade dos mesmos, nos termos do direito aplicável, unicamente aos autores, às pessoas entrevistadas, aos editores ou aos difusores do programa. O Parlamento Europeu não pode, além disso, ser considerado responsável pelos prejuízos, diretos ou indiretos, que a realização do projeto possa causar.

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Avaliação do Polígrafo:

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