Em declarações aos jornalistas, antes de uma visita à sala de operações e comando da Unidade de Emergência de Proteção de Socorro (UEPS) da Guarda Nacional Republicana (GNR), o primeiro-ministro garantiu hoje que "o país está mais preparado do ponto de vista estrutural [para combater os incêndios], mas isso em nada diminui a responsabilidade de cada um. O país pode ter todos os meios do mundo, agora, com estas condições meteorológicas, com temperaturas extremas, com ano de seca extrema, com combustível volumoso e ótimas condições para arder, qualquer descuido desencadeia imediatamente um enorme incêndio".

"Temos hoje uma estrutura mais robusta, temos hoje mais meios aéreos, mas isso não previne os incêndios. Esses são os meios para combater os incêndios. Os incêndios só ocorrem se uma mão humana, voluntariamente ou por distração, os tiver provocado. [...] Somos nós cidadãos comuns e somos nós que temos que fazer este trabalho fundamental para evitar incêndios e evitar que estes homens e mulheres tenham que atuar", sublinhou.

Questionado sobre os meios aéreos disponíveis para o combate aos incêndios, o primeiro-ministro reiterou que "não é pela existência de meios aéreos que não há incêndios". Nesse sentido, declarou que "só não há incêndios se a mãozinha humana não provocar incêndios. Portanto, aquilo que temos que fazer é mesmo evitar o incêndio. Cada um de nós tem que ter o cuidado necessário, como tivemos na pandemia, temos que ter agora para não provocar os incêndios que depois atingem todos".

Confirma-se que "só não há incêndios se a mãozinha humana não provocar incêndios"?

De acordo com o "8.º Relatório Provisório de Incêndios Rurais de 2021", do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), que compila os últimos dados apurados, "do total de 7.610 incêndios rurais verificados no ano de 2021, 6.438 foram investigados (85% do número total de incêndios - responsáveis por 96% da área total ardida). Destes, a investigação permitiu a atribuição de uma causa para 4.327 incêndios (67% dos incêndios investigados - responsáveis por 90% da área total ardida)".

"O quadro 3 apresenta a distribuição percentual das causas de incêndio do universo de incêndios investigados para os quais foi possível atribuir uma causa. Até à data, as causas mais frequentes em 2021 são: uso negligente do fogo (47%) e o incendiarismo - imputáveis (23%), naquele caso com relevância para as queimadas de sobrantes florestais ou agrícolas (20%), queimas de amontoados de sobrantes florestais ou agrícolas (10%) e queimadas para gestão de pasto para gado (14%). Os reacendimentos representam 4% do total de causas apuradas, num valor inferior face à média dos 10 anos anteriores (17%)", informa-se no documento.

Ou seja, é verdade que a "mão humana, voluntariamente ou por distração", tem provocado a maior parte dos incêndios rurais investigados, entre 2011 e 2021, e para os quais foi possível atribuir uma causa. No entanto, Costa referiu-se à totalidade dos incêndios, assim incorrendo numa extrapolação.

A invocada responsabilidade da "mão humana" não se aplica, por exemplo, à "queda de raios" (2% dos incêndios com causa atribuída em 2021). Por outro lado, não deverá também corresponder à totalidade das categorias "transportes e comunicações" (7% em 2021) e "reacendimentos" (4% em 2021), além da incógnita de "outras causas apuradas" (11% em 2021).

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