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António Costa prometeu em 2014 que não iria aumentar a carga fiscal se fosse primeiro-ministro?

Política
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
"Não aumentarei a carga fiscal. Assumo que me demitirei se não houver alternativa". Estas duas frases estão a ser difundidas nas redes sociais em forma de citação de António Costa. Terão sido proferidas na TVI, a 9 de setembro de 2014. É verdade que Costa prometeu que não iria aumentar a carga fiscal se fosse primeiro-ministro? E que se demitiria se não houvesse alternativa a esse aumento? Verificação de factos.

Numa altura em que os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que a carga fiscal aumentou em 2018 face ao ano anterior e atingiu 35,4% do PIB, o valor mais alto desde pelo menos 1995, estão a ser difundidas nas redes sociais diversas publicações (mensagens, memes, entre outras) que recordam uma suposta promessa de António Costa, em 2014: “Não aumentarei a carga fiscal. Assumo que me demitirei se não houver alternativa“.

 

 

Estas duas frases estão a ser difundidas em forma de citação de Costa. Terão sido proferidas na TVI, a 9 de setembro de 2014. É verdade que Costa prometeu que não iria aumentar a carga fiscal se fosse primeiro-ministro? E que se demitiria se não houvesse alternativa a esse aumento? Verificação de factos, a pedido de vários leitores do Polígrafo.

No dia 9 de setembro de 2014, de facto, Costa marcou presença nos estúdios da TVI, no âmbito de um debate contra António José Seguro. O contexto era a campanha para as eleições primárias do PS, quando Costa desafiou a liderança de Seguro, acabando por sair vencedor.

Contudo, quem prometeu nesse debate que não iria aumentar a carga fiscal foi Seguro e não Costa (pode conferir aqui na gravação em vídeo do debate). “Eu não aumentarei a carga fiscal, não farei isso. E assumirei hoje aqui que me demitirei se não houver outra alternativa”, prometeu Seguro, então ainda no cargo de secretário-geral do PS.

Questionado sobre essa matéria, por sua vez, Costa foi mais evasivo. “Devemos ser prudentes neste momento. As eleições legislativas, se nada de anormal acontecer, serão daqui a um ano, no próximo ano há muitas variáveis. Os franceses já anunciaram que não vão cumprir as metas fixadas no Tratado Orçamental. Que consequências vamos ter da crise ucraniana? Cumprirei os compromissos que o PS assumiu e que faço meus, como seja a redução do IVA da restauração. Dizermos mais do que isto, neste momento, acho que é imprudente“, afirmou o então candidato à liderança do PS.

 

Quem prometeu nesse debate que não iria aumentar a carga fiscal foi Seguro e não Costa. “Eu não aumentarei a carga fiscal, não farei isso. E assumirei hoje aqui que me demitirei se não houver outra alternativa”, prometeu Seguro, então ainda no cargo de secretário-geral do PS.

 

Ou seja, as publicações em análise que estão a circular pelas redes sociais atribuem a Costa duas frases/promessas que foram declaradas por Seguro. Tendo em atenção o contexto atual, isto é, o aumento da carga fiscal (com Costa no cargo de primeiro-ministro), esta troca de autoria das referidas promessas tem uma óbvia componente de falsidade e desinformação.

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Avaliação do Polígrafo:

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