Foi há pouco mais de dois meses que foi lançado o livro "O Governador". A obra, da autoria do jornalista Luís Rosa, relata o período em que Carlos Costa desempenhou o cargo de governador do Banco de Portugal (BdP), entre 2010 e 2020.

Entre os muitos episódios que Carlos Costa revela, consta o de um alegado telefonema "irritado e agreste" que recebeu do primeiro-ministro, em 2016, por causa da empresária angolana Isabel dos Santos. Segundo o ex-governador, o primeiro-ministro terá manifestado o seu incómodo relativamente à forma "inoportuna" como teria tratado a filha de José Eduardo dos Santos durante uma reunião em que esteve em cima da mesa o afastamento da empresária da administração do banco EuroBic.

Por ter considerado "ofensivas" as revelações do ex-governador, António Costa anunciou publicamente a intenção de atuar judicialmente contra Carlos Costa.

Ao jornal "Expresso", fonte oficial do primeiro-ministro revelou no dia 10 de novembro que "o primeiro-ministro constituiu seu advogado o Dr. Manuel Magalhães e Silva para adotar os procedimentos legais adequados contra o Dr. Carlos Costa, tendo em conta as declarações proferidas que são ofensivas do seu bom nome, honra e consideração".

  • Carlos Costa: "O Banco de Portugal não é regulador"

    Em entrevista à CNN Portugal, emitida ontem à noite, questionado pela jornalista Maria João Avillez sobre o "atraso" da intervenção no problema do Banco Espírito Santo (BES), apesar dos "avisos" e indícios desde pelo menos 2012, o antigo governador sublinhou que "é preciso respeitar o Estado de direito" e, em forma de justificação para a sua atuação, declarou: "O que acontece, pura e simplesmente, é que o Banco de Portugal não é regulador."

Dias mais tarde, a 15 de novembro, Costa reafirmava que iria processar o ex-governador. "Eu, sobre esse assunto, não tenho mais nada a dizer. Já tive a oportunidade de dizer na semana passada que as declarações que o Dr. Carlos Costa referiu a meu respeito são ofensivas do meu bom nome, da minha honra e da minha consideração e, por isso, já constituí um advogado para agir pelos meios legais", garantia à margem da inauguração de uma exposição de Paula Rego na Fundação de Serralves, no Porto.

Passados cerca de dois meses, o processo avançou?

"Ainda não, mas vai-se avançar", assegurou o advogado de Costa, Magalhães e Silva, ao Polígrafo.

O representante do primeiro-ministro não adianta, porém, uma data concreta: "Neste momento ainda não [existe nenhuma], mas será proximamente", garante. O processo avançará, segundo Magalhães e Silva, tanto na qualidade particular quanto na de primeiro-ministro: "Faz nas duas qualidades, enquanto pessoa que é ofendida na sua honra e reputação e enquanto primeiro-ministro que é ofendido na sua honra e reputação enquanto político."

Contactado pelo Polígrafo, o gabinete do primeiro-ministro reitera as intenções publicamente manifestadas. "Foram dadas instruções para preparar a ação, que oportunamente será apresentada às entidades competentes", sublinha fonte oficial.

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