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António Costa: “Entre 2011 e 2015, a dívida [pública] esteve sempre a subir”

Política
O que está em causa?
Num discurso focado quase exclusivamente em defender o legado dos últimos oito anos de governação do PS, esta noite em comício no Porto, o ainda Primeiro-Ministro destacou as "contas certas" da redução do peso da dívida pública, até um nível inferior a 100% do PIB, em contraste com o anterior Governo de Pedro Passos Coelho (coligação PSD/CDS-PP) em que a dívida pública "esteve sempre a subir". Verificação de factos.

Em apoio da candidatura de Pedro Nuno Santos às eleições legislativas, no comício de campanha realizado esta noite no Palácio de Cristal, Porto, António Costa realçou uma série de conquistas ou avanços nos últimos oito anos de governação do PS, sob a sua liderança, desde logo a redução do peso da dívida pública até um nível inferior a 100% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2023.

De acordo com os últimos dados do Banco de Portugal (BdP), sublinhe-se, baixou mesmo de 112,4% do PIB em 2022 para 98,7% do PIB em 2023.

E defendendo esse legado das “contas certas“, expressão recorrente desde que assumiu o cargo de Primeiro-Ministro (em novembro de 2015), Costa vincou a diferença em relação ao legado do Governo anterior, liderado por Pedro Passos Coelho, baseado em coligação PSD/CDS-PP.

Nesse sentido afirmou que “é altura de pormos os pontos nos is quando eles dizem que fizeram o que tinham a fazer, porque tinham que pôr as contas certas. Porque eu gostava de saber de onde é que eles saíram limpos. Porque a verdade é a seguinte: é que entre 2011 e 2015, a dívida esteve sempre a subir. Passou de 114% do PIB para 131% do PIB. Com eles, a dívida esteve sempre a aumentar, apesar dos cortes nas pensões, dos cortes nos salários e da subida dos impostos”.

Esta alegação tem fundamento?

Segundo os dados do BdP, de facto, a dívida pública ascendeu a 114,4% do PIB em 2011, perfazendo um aumento 14,2 pontos percentuais face a 2010, quando estava em 100,2%. Mas o Governo de Passos Coelho só tomou posse em junho de 2011, importa aqui recordar. E no contexto do resgate financeiro da Troika, iniciado poucos meses antes.

Nos anos seguintes, a dívida pública aumentou para 129% do PIB em 2012, para 131,4% do PIB em 2013 e para 132,9% do PIB em 2014.

Contudo, em 2015, último ano do Governo de Passos Coelho, baixou ligeiramente para 131,2% do PIB.

Em suma, Costa não foi inteiramente rigoroso ao dizer que “a dívida esteve sempre a subir”, não referindo a diminuição em 2015. Mas como especificou as percentagens de 2011 e 2015, apontando para a evolução total no período em causa (e não ano a ano), concluímos assim que, no fundamental, a alegação é verdadeira.

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Avaliação do Polígrafo:

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