Como é que as empresas conseguem pagar melhores salários? António Costa não demorou a responder à pergunta, desmontando a ideia que a direita está "sempre a repetir":

"As empresas têm conseguido suportar... Essa ideia que a direita está sempre a repetir de que se se aumenta o salário mínimo, as empresas vão à falência, o que é que nós demonstrámos nestes seis anos? É que com o aumento de 40% do salário mínimo, com o aumento em 25%, em média, do salário médio no país, a verdade é que as empresas aumentaram o investimento e aumentaram as exportações."

Quanto às exportações, o Polígrafo já verificou que Costa está quase totalmente correto. De facto, "no trimestre terminado em novembro de 2021, as exportações de bens aumentaram 9,3% e as importações cresceram 22,5% em relação ao mesmo período de 2020 (+8,8% e +18,8%, pela mesma ordem, no trimestre terminado em outubro de 2021). Comparando com o trimestre terminado em novembro de 2019, as exportações e as importações aumentaram 8,4% e 9,8%, respetivamente", destaca o Instituto Nacional de Estatística (INE) em novos dados (atualizados até novembro de 2021) sobre as exportações de bens em Portugal. Mas ainda não há dados sobre a evolução recente das exportações de serviços.

No que respeita ao salário médio, será que o primeiro-ministro foi suficientemente preciso?

Não. De acordo com os últimos dados estatísticos do INE sobre a remuneração bruta mensal média por trabalhador, nenhuma das varáveis desse indicador aumentou em 25% desde 2015.

Quando falamos em remuneração bruta mensal podemos estar a referir-nos à remuneração bruta total, à remuneração bruta regular e à remuneração bruta base (a variável agregada na Pordata, por exemplo).

Assim, de acordo com os dados do INE, a remuneração bruta total aumentou de 1.179 euros em 2015 (ano em que Costa assumiu o cargo de primeiro-ministro, mais precisamente no mês de novembro) para 1.314 euros em 2020 (último ano com dados disponíveis). Ou seja, estamos perante uma subida de 11,5%.

Quanto à remuneração bruta regular, registou um aumento de 972 euros em 2015 para 1.073 euros em 2020. Ou seja, um acréscimo de 10,4%, distante da percentagem indicada por Costa.

Por fim, no que toca à remuneração bruta base, era de 916 euros em 2015 e escalou para 1.009 euros em 2020, perfazendo um incremento de 9,2%. Mais uma vez, os dados do INE não confirmam a alegação de Costa que classificamos como falsa.

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Avaliação do Polígrafo:

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