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António Costa diz que “adiámos em mais 10 anos” a sustentabilidade da Segurança Social. Tem razão?

Política
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
"Nós adiámos em mais 10 anos o momento em que a Segurança Social passará a ser deficitária", afirmou ontem o primeiro-ministro António Costa, na entrevista à RTP, atribuindo tal mérito ao Governo e à maioria parlamentar que o suportou "ao longo destes anos".

“Uma das coisas muito importantes que esta maioria conseguiu ao longo destes anos foi ter devolvido confiança aos portugueses no futuro da Segurança Social. Sabe em quantos anos… Nós adiámos em mais 10 anos o momento em que a Segurança Social passará a ser deficitária“, destacou António Costa, em entrevista à RTP.

Esta alegação tem fundamento?

No Relatório sobre a Sustentabilidade Financeira da Segurança Social patente no Orçamento do Estado para 2016 (pode consultar aqui), aquele que foi o primeiro Orçamento do Estado do primeiro Governo liderado por António Costa (com tomada de posse no final de 2015), encontramos a projeção dos primeiros saldos negativos do sistema previdencial para o início da década de 2020.

Entretanto, no Relatório sobre a Sustentabilidade Financeira da Segurança Social patente no Orçamento do Estado para 2022 (pode consultar aqui), chumbado na Assembleia da República, informa-se que “os primeiros saldos negativos do sistema previdencial são esperados no início da década de 2030, podendo atingir valores negativos superiores a 1% do PIB em meados da década de 2040″.

Podemos assim inferir que “o momento em que a Segurança Social passará a ser deficitária” foi protelado “em mais 10 anos“, comparando a estimativa de 2016 com a de 2022.

Contudo, no Relatório sobre a Sustentabilidade Financeira da Segurança Social patente no Orçamento do Estado para 2021 (pode consultar aqui), previa-se então que “os primeiros saldos negativos do sistema previdencial são esperados no fim da década de 2020, podendo atingir valores negativos superiores a 1% do PIB durante a década de 2040″.

Ou seja, a estimativa variou entre o “início da década de 2030” e o “fim da década de 2020” em apenas 12 meses. Ora, mesmo tendo em conta os efeitos extraordinários da pandemia de Covid-19 nessa estimativa inscrita no OE2021, não podemos deixar de ressalvar a aparente volatilidade destas projeções, sobretudo numa altura em que a pandemia ainda nem sequer está totalmente superada.

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Avaliação do Polígrafo:

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