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António Costa diz agora que foi informado sobre o contacto ao SIS, ao contrário do que tinha afirmado antes?

Política
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
O Primeiro-Ministro (PM) está esta tarde no Parlamento para o debate quinzenal sobre política geral, mas os temas em discussão não podiam ser mais específicos: João Galamba, Ministério das Infraestruturas e Serviço de Informação e Segurança (SIS). Numa troca de palavras com o social-democrata Miranda Sarmento, António Costa admitiu que, afinal, na madrugada de 27 de abril, foi mesmo informado sobre o contacto ao SIS. Será que disse o contrário no início de maio?

O debate na Assembleia da República (AR) abriu esta tarde com questões da bancada parlamentar do Bloco de Esquerda (BE), mas foi quando Joaquim Miranda Sarmento (PSD) começou a falar que chegou a primeira contradição da tarde: num Costa vs. Costa, o PM contraria a sua primeira versão dos factos sobre ter tomado conhecimento do contacto ao SIS.

“Não vamos pôr na boca de quem quer que seja aquilo que disse ou não disse. As imagens estão gravadas por isso é muito fácil de saber. No dia em que eu regressei de férias, um jornalista da RTP, à porta do aeroporto, perguntou-me se eu tinha tido prévio conhecimento da atuação do SIS. E eu disse que não tive, o que é rigorosamente verdade, nem tinha que ter, porque a relação de tutela que eu tenho com os serviços não implica que os serviços me informem previamente das ações que desenvolvem”, começou por explicar António Costa, interrompido pelo desagrado dos deputados da oposição.

“Outra coisa completamente diferente, a que eu não respondi, porque também ninguém me perguntou, era saber se eu tinha ou não tinha falado com o ministro João Galamba, como falei com ‘n’ pessoas. Mas se não lhe perguntarem, não anda a fazer a lista de telefonemas que fez ou não fez”, justificou o PM, mais uma vez mal recebido pelos grupos parlamentares.

A 1 de maio, primeiro pelo Gabinete em resposta ao “Observador” e só depois em declarações à RTP, António Costa falou pela primeira vez sobre a ordem dada ao SIS, esclarecendo: “Não dei, nem nenhum membro do Governo deu ordens ao SIS”. Mais equívocas foram as declarações sobre o alegado conhecimento da intervenção das secretas: “Não fui informado nem tinha de ser. Ninguém do Governo deu ordens para o SIS fazer isto ou aquilo. Não houve nenhuma ordem aos serviços de informação nem por parte de um membro do governo nem por parte de São Bento.”

Ao jornal “Observador“, pouco antes destas declarações, e por escrito, o Gabinete do PM informava que este “não foi nem tinha de ser informado” e que, além disso, não “tomou qualquer diligência”.

Salto para 18 de maio quando, na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) à TAP, o ministro das Infraestruturas garantiu ter informado o PM, já na madrugada de 27 de abril, não só sobre os episódios no ministério das Infraestruturas mas também sobre o contacto ao SIS. “Ao final da noite, talvez uma ou duas da manhã”, precisou João Galamba. “No final contei o que tinha acontecido, contei que tinha ligado ao SIS. O senhor PM só tomou conhecimento das coisas. Tudo aconteceu antes disso”, acrescentou.

Agora, António Costa cola a sua narrativa à do seu ministro, contrariando as suas primeiras declarações sobre o tema que, de resto, enquadra agora numa outra questão. Afinal, se lhe tivessem perguntado com quem falou, o PM não teria escondido, garante. Não podemos deixar de notar, porém, e apesar de ser claro que as declarações de António Costa revelam que este desconhecia o contacto ao SIS, que o PM se referia apenas ao momento prévio do contacto com o SIS, ou seja, a um alerta que o permitisse dar aval àquela ação.

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