"Eu não tenho o sonho de ser primeiro-ministro", terá afirmado António Costa, em meados de 2015. Uma nova publicação na página "PSD Europa" recupera esta suposta citação do atual primeiro-ministro, através de uma imagem retirada da entrevista televisiva em que a frase terá sido proferida. E por cima da imagem destaca-se a seguinte acusação: "A mentir desde há muito e muito tempo!"

É verdade que António Costa disse em 2015 que não tinha "o sonho de ser primeiro-ministro"? Verificação de factos.

Importa começar por salientar que a publicação em análise não tem qualquer indicação sobre a origem e a data da citação. O Polígrafo apurou que se trata de uma entrevista concedida à TVI, a 16 de outubro de 2015, quando o líder do PS estava em negociações com o BE e o PCP para formar uma solução alternativa de Governo (a coligação PSD/CDS-PP tinha acabado de vencer as eleições legislativas, mas sem maioria absoluta).

Ou seja, há desde logo aqui uma manipulação: ao ser difundida assim sem contexto, a citação é manipulada de forma a apontar para uma "mentira" de Costa que não tinha "o sonho de ser primeiro-ministro" mas tornou-se mesmo primeiro-ministro. Tendo conhecimento do contexto, outubro de 2015, negociações para formar uma solução de Governo, percebe-se que Costa estava precisamente a tentar alcançar o cargo de primeiro-ministro, de forma assumida.

No contexto da entrevista, Costa recusou que as negociações em curso decorressem da sua ambição pessoal. "Eu não tenho o sonho de ser primeiro-ministro" e "não estou aqui por ambição pessoal nem por ambição de ser primeiro-ministro", assegurou então Costa. Deslocada, a frase parece hoje ter outro sentido, mas na altura inseria-se na dinâmica das negociações em curso com o BE e o PCP, entrando no terreno mais movediço e subjetivo da retórica política.

Em suma, é verdade que António Costa disse em 2015 que não tinha "o sonho de ser primeiro-ministro", num determinado contexto, quando estava precisamente em negociações para formar um novo Governo e assumir o cargo de primeiro-ministro. Mas isso era algo evidente na altura, pelo que a citação deve ser entendida no respetivo contexto.

Avaliação do Polígrafo:

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