Na sessão parlamentar de hoje, marcada pela votação final global do Orçamento Retificativo, aprovado com os votos favoráveis dos deputados do PS (e abstenção do PSD, BE e PAN), questionado sobre o futuro próximo da TAP, o primeiro-ministro António Costa apontou para a inevitabilidade dos despedimentos, no âmbito do plano de reestruturação da companhia aérea portuguesa.

"É preciso termos noção de que quando a Comissão Europeia autoriza medidas de ajudas do Estado, tem contrapartida que é haver reajustamento da empresa . E esse programa de reestruturação terá que ser agora negociado. Há uma negociação a ter entre Portugal e a UE sobre a dimensão desse plano de reestruturação. Esse programa vai ter de existir, e vai implicar diminuição do número de rotas, de aviões e isso terá consequências sobre o emprego da TAP, não vale a pena estarmos aqui com ilusões. Em qualquer operação há dor, a operação tem o objetivo de recuperar as pessoas", afirmou Costa.

Em contradição com declarações recentes de Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas e da Habitação do mesmo Governo?

De facto, no dia 16 de junho, Pedro Nuno Santos garantiu que os despedimentos "não têm que ser inevitáveis" para reestruturar a TAP, considerando que o processo terá de contar com a participação dos sindicatos.

"Os despedimentos não têm que ser inevitáveis. Há várias formas de fazermos uma reestruturação da empresa. O que ela tem é de ser feita com os sindicatos e há várias formas de fazermos isso. Os sindicatos têm várias sugestões e propostas. É um trabalho que vamos fazer", declarou então Santos.

"Isso terá consequências sobre o emprego da TAP, não vale a pena estarmos aqui com ilusões. Em qualquer operação há dor", anunciou Costa. "Os despedimentos não têm que ser inevitáveis. Há várias formas de fazermos uma reestruturação da empresa", garantiu Santos.

Na manhã de hoje, aliás, o mesmo ministro recusou assumir um cenário de despedimentos na TAP, no âmbito do processo de reestruturação.

"Inevitabilidades não as assumo. Não faz sentido estar a assumir cenários que decorrerão de um plano de reestruturação", assegurou o ministro, questionado sobre a possibilidade de a reestruturação da empresa implicar uma redução do número de trabalhadores.

Na conferência de imprensa em que foi anunciado o acordo com os acionistas privados da TAP que vai traduzir-se na saída do empresário David Neeleman e no reforço da posição acionista do Estado de 50% para 72,5%, o ministro afirmou que "há várias soluções", pelo que "não precisamos nesta fase de assumir inevitabilidades que decorrerão de uma negociação" que vai ainda ser feita.

Admitindo que o processo "é exigente e difícil", Santos repetiu várias vezes que não iria "assumir já inevitabilidades", uma vez que as opções são várias.

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