“Como é que nós, num país com a área florestal como a que temos – e em que a floresta é um dos principais recursos – não conseguimos ter meios aéreos para ajudar as populações?” A pergunta foi colocada pelo próprio entrevistado, André Ventura, líder do Chega, ontem à noite (19 de agosto) no canal Now.
“E eu já nem estou a comparar com Espanha, estou a comparar mesmo com países da nossa dimensão populacional, como a Grécia”, ressalvou, depois de ter sublinhado que “nós tínhamos zero aviões Canadair, agora temos zero mais dois que estão avariados A Grécia, que tem a mesma população que a nossa, tem 17 mais sete. Nós temos zero, zero. E as populações dizem assim: ‘Porque é que nada vem do céu para nos ajudar?’ Não vem, porque não foi feito investimento”.
Como tal, defendeu, “o Primeiro-Ministro não pode querer ser bem recebido quando lidera um Governo que deixa as pessoas como nós vimos, sozinhas, algumas delas com ramos nas mãos a tentar apagar o fogo”.
Questionado sobre o que deveria ter feito, Ventura respondeu: “Primeiro deveria ter garantido que estes meios existiam, isso era a primeira coisa que devia ter feito. Porque eu ouvi o Primeiro-Ministro, quando na altura ele era líder da oposição, a dizer que as alterações climáticas eram uma desculpa do Governo de António Costa e que o Governo devia deixar de procurar desculpas para aquilo que era a realidade.”
“É Primeiro-Ministro há um ano e três meses e continuamos com falta de meios e falta de prevenção”, concluiu o deputado e líder do Chega.
Confirma-se a alegação sobre as críticas de Luís Montenegro ao Governo de António Costa?
Sim. Entre vários exemplos, destaque para agosto de 2022, quando o então líder do PSD, ainda na oposição, acusou o Governo de Costa de utilizar uma “manobra de distração“, ao remeter o problema dos incêndios para o lado científico e meteorológico, em vez de reconhecer o fracasso quer na prevenção, quer na coordenação do combate aos fogos florestais.
De acordo com uma notícia arquivada na página oficial do PSD, “cinco anos volvidos da tragédia de Pedrógão Grande, Luís Montenegro considera que os Executivos liderados por António Costa pouco aprenderam com a calamidade de 2017. ‘Tivemos uma tragédia absolutamente única, no mau sentido do termo. Era expectável que o país tivesse mais meios e capacidade de resposta, e não tem‘, afirmou.”
“Há muita coisa que o Governo não fez, das medidas que podiam ter sido tomadas: a implementação da reforma da floresta, ações que visam prevenir, ter meios de combate. Há medidas que só cabe ao poder executivo tomar. (…) O Governo não pode sacudir responsabilidades”, apontou Montenegro.
E sublinhou: “Não se tente distrair as pessoas. Não me agrada nada que nos andem a vender que estamos num ano atípico, de vagas de calor. O que não é correto é dirigir para aí e disfarçar o que correu menos bem.”
Entretanto, no dia 18 de agosto de 2025, depois de ter sido obrigado a interromper as Férias no Algarve, o mesmo Montenegro (já como Primeiro-Ministro) referiu-se precisamente a “24 dias seguidos de severidade meteorológica como não há registo no país“, comentando que “estamos todos muito esgotados“.
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