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André Ventura: “Paulo Portas mandou retirar o retrato de Freitas do Amaral da sede do CDS quando este decidiu fazer parte de um Governo do PS”

Política
O que está em causa?
Em entrevista à TVI/CNN Portugal, o candidato a Belém disse estranhar o apoio do antigo líder do CDS a Seguro, visto que, alega, no passado o próprio mandou retirar o retrato de Freitas do Amaral quando este decidiu integrar um Governo socialista. É verdade?

André Ventura admitiu ter ficado surpreendido por ver Paulo Portas apoiar António José Seguro na segunda volta das eleições presidenciais, uma decisão que, a seu ver, não condiz com a postura que tinha no passado em relação ao PS.

Esta sexta-feira, em entrevista à TVI/CNN Portugal, questionado sobre os apoios públicos de figuras notáveis da política à candidatura do adversário socialista, Ventura afirmou que já esperava que “o sistema” se voltasse todo contra si, mas confessou que não esperava essa posição do antigo líder do CDS.

“Para ser sincero, houve apenas uma coisa que me espantou. Foi ver pessoas que diziam que o socialismo era a pior coisa que nos podia ter acontecido e que, de repente, se colocaram nos braços de António José Seguro. Paulo Portas é um exemplo evidente. O doutor mandou retirar o retrato de Freitas do Amaral da sede do CDS quando este decidiu fazer parte de um Governo socialista. Então e agora apoia um candidato socialista à Presidência da República?”, apontou Ventura. Tem razão?

Sim. Em 2005, quando Freitas de Amaral aceitou integrar um Governo socialista, liderado por José Sócrates, como ministro dos Negócios Estrangeiros, o CDS tomou a decisão de retirar o seu retrato da entrada da sede do partido e enviá-lo, por correio, à sede do PS no Largo do Rato, em Lisboa.

De acordo com o “Correio da Manhã”,  a decisão foi tomada pelo então secretário-geral do CDS, Luís Pedro Mota Soares, depois de ouvido o presidente demissionário, Paulo Portas.

Um dos motivos para a decisão, explicou Mota Soares, foi “combater a hipocrisia política”, numa altura em que muitos jovens aderiam ao partido e não compreendiam que houvesse um retrato de uma pessoa que já havia apoiado o PSD, o BE, o PS e, que passara a integrar um Governo socialista. “Há milhões de portugueses, dentro e fora do CDS, que não entendem aquela lógica de ‘dá-me o teu apoio que eu dou-te um Ministério’”, disse ao “CM”.

Na altura, Freitas do Amaral não comentou a retirada do retrato, mas mais tarde quebrou o silêncio. Em 2019, em entrevista à revista “Visão, reconheceu que ficou irritado “nos primeiros cinco minutos”, mas rapidamente concluiu que “quem ficaria em ridículo seria quem tomou a decisão”.

Segundo o “Diário de Notícias”, o retrato voltou a ser colocado na sede do CDS em 2007. Na altura, Ribeiro e Castro, então líder, afirmou tratar-se de cumprir a promessa de “reconciliação” com o passado do partido.

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