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André Ventura: “Nove em cada dez portugueses acha que a saúde está pior”

Sociedade
O que está em causa?
O líder do Chega destacou, ontem à noite, em entrevista à TVI/CNN Portugal, que a maioria dos portugueses considera que a saúde está a piorar. É verdade?

Esta quinta-feira à noite, em entrevista à TVI/CNN Portugal, André Ventura alertou para a “pressão enorme” sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS), que condiciona tanto o acesso aos cuidados como o nível de descontentamento da população. Para reforçar o seu ponto, afirmou que “nove em cada dez portugueses consideram que a saúde está pior”. É verdade?

Sim. O líder do Chega baseou-se num estudo do Observatório da Sociedade Portuguesa Behavioral Insights Unit da Católica Lisbon School of Business and Economics, divulgado esta semana, que aborda as “Preocupações atuais da sociedade portuguesa: habitação, níveis de emigração e imigração e saúde”.

Os resultados desta investigação – que contou com a participação de 1.134 inquiridos, com idades entre os 20 e 69 anos – revelaram que existe um descontentamento generalizado com o SNS, sendo que 89,6% dos inquiridos acreditam que o estado atual do sistema está a levar a um declínio na qualidade dos cuidados prestados – os tais nove em dez mencionado por Ventura.

Neste inquérito, a maioria (85,1%) revelou ter receio de não receber a assistência necessária em caso de doença, enquanto 80,9% mostrou preocupação com a possibilidade de ter de pagar mais pelos cuidados de saúde. Além disso, 84,6% admitiu temer que o SNS pudesse deteriorar a sua qualidade de vida.

Entre os participantes, 37,4% relataram adiar frequentemente consultas ou tratamentos devido aos longos tempos de espera. Na hora de atribuir responsabilidade, a insatisfação dirige-se principalmente aos responsáveis pela gestão do sistema: 64,2% apontam o Governo e 56,8% a Direção-Geral da Saúde. Em contrapartida, a maioria valoriza o esforço e a competência dos profissionais de saúde, com 57,3% a expressar satisfação com médicos, enfermeiros e pessoal de apoio.

Mesmo avaliando negativamente o SNS, quase metade dos inquiridos afirmou não sentir necessidade de subscrever um seguro de saúde privado, o que sugere que, apesar da desconfiança generalizada, recorrer a alternativas privadas ainda não se tornou uma prioridade dominante.

Importa, no entanto, destacar que o líder do Chega associou este descontentamento e a sobrecarga nos serviços de saúde ao fenómeno da imigração, correlações que não podem ser verificadas com base neste estudo.

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Avaliação do Polígrafo

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