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André Ventura na SICN: “Lacerda Sales deixou no ar a ideia de que a secretária pode ter agido sozinha”

Política
O que está em causa?
A audição de ontem na comissão parlamentar de inquérito ao "caso das gémeas" ficou marcada por muitos silêncios e algumas irritações. Em entrevista posterior na SIC Notícias, Ventura sublinhou que o ex-secretário de Estado da Saúde "deixou no ar a ideia de que a secretária pode ter agido sozinha numa coisa desta dimensão" e que "ninguém acredita" nessa tese.
© Agência Lusa / Rodrigo Antunes

Em entrevista dada ontem (17 de junho) à SIC Notícias, depois da audição de António Lacerda Sales, arguido no polémico caso das gémeas luso-brasileiras, André Ventura destacou que, num primeiro momento, o inquirido disse que não queria dizer nada, mas “quando eram questões relacionadas com ele próprio, desmentia categoricamente ou dizia que tinha direito ao silêncio”.

Ainda assim, e apesar dos muitos silêncios, “alimentou uma série de suspeitas sobre outras pessoas que não estão presentes, mas que vão estar, lançando sobre elas a necessidade de virem a dar explicações que ele próprio não quer dar”, criticou o líder do Chega.

Neste âmbito, Ventura acabou por apontar o seguinte: “Tenho de dizer isto, independentemente da consideração pessoal que tenho por Lacerda Sales, acho que lhe ficou muito mal deixar no ar a ideia de que a secretária pode ter agido sozinha numa coisa desta dimensão. Ninguém acredita que uma secretária pudesse marcar uma consulta num hospital para um medicamento de quatro milhões de euros sem autorização superior ou sem incentivo superior, ninguém acredita.”

É verdade que Lacerda Sales “deixou no ar” essa suspeita?

Questionado pelo próprio Ventura – na audição da comissão parlamentar de inquérito – sobre se tinha dado instruções à sua secretária pessoal, Carla Silva (a funcionária que disse à IGAS ter sido instruída a enviar o e-mail), para a marcação da consulta, Lacerda Sales começou por responder que se remeteria ao silêncio, invocando o estatuto de arguido no processo em causa.

Mas Ventura insistiu, levando o ex-secretário de Estado da Saúde a responder, visivelmente irritado, que “nunca chegou nenhum e-mail nem nenhum processo formalizado” ao seu gabinete. Já no que diz respeito a uma marcação “informal” da consulta, Lacerda Sales declarou: “Senhor deputado, nunca lhe disse que marquei a consulta. Isso faz parte do processo de averiguação e como não quero interferir nesse processo de investigação terei de me remeter ao silêncio.”

Quando confrontado por Joana Mortágua, deputada do Bloco de Esquerda, sobre a escolha e renomeação da sua secretária pessoal “já depois de andarem a circular um historial clínico destas duas crianças de que tinha havido consultas a pedido do secretário de Estado”, Lacerda Sales apontou que “obviamente que não tinha conhecimento“. E ressalvou: “Até lhe dei um louvor, mas quantas comendas deste país não foram dadas a pessoas que posteriormente tiveram processos judiciais.”

Sobre esse mesmo louvor concedido a Carla Silva, que elogiou em 2022 “pelo sentido de serviço público, dedicação, competência e lealdade com que desempenhou as suas funções”, Lacerda Sales admitiu que se soubesse da situação das gémeas naquela altura “não voltava a proferir este despacho“.

De resto, esta não é a primeira vez que o antigo secretário de Estado da Saúde aponta à secretária neste processo. Em abril de 2024, Lacerda Sales criticou a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) por supostamente ter conferido maior valor à palavra da secretária pessoal em detrimento da sua.

No contraditório feito por Lacerda Sales, parte integrante do relatório da IGAS sobre o caso das gémeas, são contestados vários pontos do documento, nomeadamente a afirmação da secretária pessoal de que foi o secretário de Estado da Saúde a solicitar a marcação da consulta.

De acordo com a Agência Lusa, que teve acesso ao documento, Lacerda Sales recordou que a sua secretária pessoal tinha exercido funções no Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN) e, por isso, poderia já ter conhecimento do caso das gémeas.

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Avaliação do Polígrafo:

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