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André Ventura na SIC: “Luís Montenegro andou a dizer que isto era o pior Orçamento da história”

Política
O que está em causa?
Questionado sobre a possibilidade de o Governo da AD não avançar com um Orçamento Retificativo, na entrevista de ontem à noite (21 de março) na SIC, Ventura considerou que isso seria uma "armadilha ao Chega" e recordou que Montenegro "andou a dizer que isto era o pior Orçamento [do Estado], dos piores Orçamentos da história".

Por entre vários cenários em análise – na entrevista de ontem à noite (21 de março) na SIC e SIC Notícias – destacou-se uma hipótese que pareceu causar maior apreensão em André Ventura, líder do Chega. Na medida em que “disse que nunca chumbaria medidas” que melhorassem as condições de vida do seu eleitorado – “nomeadamente polícias, professores, pensionistas, profissionais de saúde, oficiais de justiça” -, no caso de não haver um Orçamento Retificativo “para acomodar estas medidas” e, em alternativa, “ficarem inscritas no Orçamento do Estado para 2025”, ainda assim “votaria contra“?

Ao que o líder do Chega respondeu que “se isso for feito assim e pode ser, é uma hipótese possível, isso é uma armadilha ao Chega e aos eleitores e portugueses. Para resolver, podem resolver agora. Por uma razão simples, porque nós não precisamos do PS”.

Mas e se não for necessário? Perante esta interpelação da jornalista, Ventura declarou: “Bom, Luís Montenegro andou a dizer que isto era o pior Orçamento [do Estado], dos piores Orçamentos da história. Então agora vai governar com este Orçamento? A não ser que se tenha esquecido do que o PSD disse sobre este Orçamento. Eu acho que não se esqueceram.”

É verdade que Montenegro disse que o Orçamento do Estado para 2024 (OE2024) era “o pior” ou “um dos piores da história”?

Nem por isso. Aliás, ficou célebre a reação do líder do PSD à proposta de OE2024 apresentada pelo Governo do PS, não tanto pelas críticas mas sobretudo pelos termos que utilizou.

“É assim uma espécie, mais uma vez, de um Orçamento pipi, de um Orçamento que aparece bem vestidinho, muito apresentadinho, mas que é só aparência, é assim muito betinho, parece que faz, mas não faz, apresenta objetivos, apresenta ideias, mas depois não concretiza nada”, afirmou Montenegro, ao discursar numa reunião do Conselho Nacional do PSD, a 11 de outubro de 2023.

Considerando que a proposta uma “pura brincadeira, pura demagogia e puro oportunismo político”, Montenegro assumiu não haver nenhuma razão para os portugueses confiarem num Governo que não fez nada em oito anos daquilo que promete fazer agora em 2024.

Nesse sentido questionou: “Alguém acredita que este Orçamento vai dar um médico de família que faz falta a mais de 1,6 milhões de portugueses? Alguém acredita que é este Orçamento que vai resolver finalmente o problema da incapacidade de termos consultas atempadas e cirurgias atempadas no Serviço Nacional de Saúde?”

Mesmo quando anunciou o voto contra do PSD, a 17 de outubro de 2023, apesar de fundamentar com críticas, em nenhum momento Montenegro classificou o OE2024 como “o pior” ou “um dos piores da história”.

As críticas mais duras incidiram sobre a política fiscal. “É um logro dizer que este Orçamento do Estado vai baixar impostos. O país está a ser enganado”, sublinhou, acusando o Governo de “tirar com as duas mãos” através dos impostos indiretos. “Este Orçamento do Estado é uma aparência. O Governo e o país estão a viver das aparências”, insistiu, apontando para a “falta de estratégia económica” e os “serviços públicos mínimos”.

Em suma, Ventura extrapolou as críticas de Montenegro sobre o OE2024 e evocou uma falsa citação.

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Avaliação do Polígrafo:

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