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André Ventura na RTP: “O Chega não se vai humilhar, nem vai andar a pedinchar” acordo de Governo com o PSD

Política
O que está em causa?
Desde as eleições legislativas de 10 de março, o líder do Chega tem insistido todos os dias na necessidade de um acordo de Governo com o PSD e a entrevista de ontem à noite na RTP não foi exceção. No entanto, ressalvou que "não se vai humilhar, nem vai andar a pedinchar". Em flagrante contradição com o que tinha dito numa entrevista ao jornal "Novo" há apenas quatro dias.

Na “Grande Entrevista” à RTP emitida ontem à noite (20 de março), questionado sobre se “acredita que ainda vai receber alguma chamada de Luís Montenegro nos próximos dias até à tomada de posse do Governo”, com vista a firmar um acordo de Governo que tem vindo a pedir insistentemente desde as eleições legislativas de 10 de março, André Ventura começou por responder que não sabe.

Ainda assim não deixou de sublinhar: “O que eu sei é isto. Eu tenho feito tudo para garantir que temos um acordo a quatro anos de estabilidade. Mas também lhe quero dizer uma coisa: o Chega tem desenvolvido todas as diligências que pode, mas não não se vai humilhar, nem vai andar a pedinchar.”

Porém, cerca de quatro dias antes, em entrevista ao jornal “Novo” (edição de 16 de março), o líder do Chega tinha dito precisamente o contrário, admitindo que se estava a “humilhar” no sentido de obter um acordo de Governo com o PSD.

Considerando que “mais umas eleições” será “a última coisa de que o país precisa”, Ventura declarou: “Eu tenho noção de que me estou a humilhar, mas as pessoas em casa não querem um Governo a seis meses, querem um Governo a quatro anos. Portanto, posso humilhar-me um pouco mas vou lutar por isso até ao fim. Se não der, eu tentei tudo.”

Numa entrevista ao jornal semanário "Novo" em que voltou a sublinhar a necessidade de "negociações" ou mesmo um "acordo de Governo" entre o Chega e a Aliança Democrática, Ventura disse que a redução da taxa de IRC "é importante" no sentido de exponenciar o crescimento económico de Portugal, mas alertou que isso "por si só" pode não ser suficiente, apontando para o exemplo da Bulgária. Verificação de factos.

Ao longo da entrevista de ontem, o líder do Chega repetiu no geral as mesmas ideias sobre o que entende ser necessário para a formação de um Governo estável de direita que cumpra a legislatura inteira de quatro anos. Voltou a falar nas “diligências” que tem desenvolvido nesse sentido.

Em suma, reiterou praticamente tudo aquilo que, a 16 de março, o tinha levado a concluir que se estava a “humilhar” para conseguir “um Governo a seis meses”.

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