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André Ventura: Montenegro admite trabalhar com Orçamento a que chamou “betinho e pipi”. É verdade?

Política
O que está em causa?
De "pipi" e "bem arrumadinho" para uma possibilidade cada vez mais real. Montenegro quer a todo o custo evitar um orçamento retificativo - mesmo que isso signifique ter que governar com um documento com o qual não foi nada simpático há uns meses.
© José Sena Goulão/Lusa

Em outubro do último ano, logo depois de ser conhecido o Orçamento do Estado para 2024, o presidente do PSD chamou-lhe “pipi, bem apresentadinho e muito betinho”. Luís Montenegro não gostou do documento “que parece que faz e não faz”, mas nos últimos dois dias, durante a discussão do programa do seu Governo, é a ele que se tem agarrado para não apresentar um orçamento retificativo.

Esta manhã, horas depois de o Primeiro-Ministro esclarecer a oposição – “Se houver necessidade de haver um orçamento retificativo, será o parlamento naturalmente quem tem competência constitucional para o apreciar. Mas se não houver necessidade, não haverá um orçamento retificativo” – André Ventura lembrou que, ainda há uns meses, Montenegro não era simpático a falar do documento com que agora admite trabalhar. E tem razão.

Afinal, além de “pipi” e “muito betinho”, o líder do PSD disse o seguinte: “É assim uma espécie, mais uma vez, de um orçamento pipi, de um orçamento que aparece bem vestidinho, muito apresentadinho, mas que é só aparência, é assim muito betinho, parece que faz, mas não faz, apresenta objetivos, apresenta ideias, mas depois não concretiza nada.

O discurso que acabou por se tornar polémico aconteceu durante a abertura do Conselho Nacional do PSD, na Maia, onde Montenegro disse ainda, sobre o OE2024, que era “um fato que o doutor António Costa, com aquele sorriso de sempre, apresenta todos os anos”. E acrescentou: “Primeiro com o doutor Centeno, agora com o doutor Medina, mas sempre com a mesma carga, sempre com a mesma incapacidade de suprir aquela que é a realidade que é cobrar, cobrar e cobrar impostos e desinvestir, desinvestir, desinvestir.”

Impostos máximos, serviços mínimos. Se não apresentar um retificativo, é assim que Montenegro crê que terá que liderar. Ou pelo menos era assim que via as coisas em outubro do ano passado: “Mesmo as maiores piruetas que se possam dar na política pública já não são suficientes para quebrar aquela que tem sido a nota dominante do Governo do PS.” De volta ao documento: “É um embrulho e uma demagogia.”

“Alguém acredita que este orçamento vai dar um médico de família que faz falta a mais de 1,6 milhões de portugueses? Alguém acredita que é este orçamento que vai resolver finalmente o problema da incapacidade de termos consultas atempadas e cirurgias atempadas no Serviço Nacional de Saúde?”, questionou. Uma pergunta a que o agora Primeiro-Ministro ainda não respondeu.

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