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André Ventura: “Luís Montenegro disse que não queria um país de portas escancaradas mas PSD chumbou medidas do Chega para a imigração”

Política
O que está em causa?
André Ventura tem a certeza de que o Primeiro-Ministro entrou em contradição quando o seu partido (PSD) "votou contra" as medidas para restingir a imigração propostas pelo Chega. No entanto, convém recordar que as medidas do partido de Ventura vão além do discurso de Luís Montenegro e que o PSD e o CDS-PP também se abstiveram em alguns tópicos.

Na noite de ontem, em entrevista no Now Canal, André Ventura criticou o Primeiro-Ministro por escapar às negociações com o Chega e por não permitir que sejam feitos avanços ao nível das imigrações. Segundo o deputado, Luís Montenegro disse, em tempos, que não queria um “país de portas escancaradas”, mas a verdade é que o PSD votou contra medidas do Chega para controlar a imigração. Confirma-se?

Primeiro, as declarações: a 3 de junho, o Executivo liderado por Montenegro apresentava ao país o seu Plano de Ação para as Migrações, que incluía o polémico fim da manifestação de interesse. Aos jornalistas, antes da apresentação oficial das medidas, o Primeiro-Ministro aprofundou o tema: “Em Portugal, de forma particular, nós sentimos sobretudo ao longo das últimas duas décadas um definhamento demográfico, uma diminuição dos nossos índices de natalidade, que tem repercussões que se vão espelhar nas próximas décadas, qualquer que seja o sucesso das políticas de remoção dos obstáculos à natalidade desejada pelos casais portugueses.”

Segundo Montenegro, “as pessoas que procuram Portugal” fazem-no “com o mesmo espírito com que muitos portugueses procuram também lá fora as suas oportunidades”. Por muito que não lhes queira “fechar a porta” por uma “razão de humanismo”,“também não podemos ir para o outro extremo”, disse. Para o PM, o extremo significa “escancarar as nossas portas“, sem “fazer o controlo das entradas no nosso país” e sem “acompanhar aqueles que nos procuram”, largando-os “à sorte”.

Sendo certo que as declarações não foram especialmente polémicas, Ventura acredita que estas constituem uma contradição face aos votos do PSD no passado dia 19 de junho, quando o Chega e o Bloco de Esquerda levaram à Assembleia da República projetos sobre a imigração. No caso do partido de André Ventura, houve apenas dois diplomas em que PSD e CDS-PP votaram contra: o projeto de lei que previa a introdução de quotas “assentes nas qualificações e nas reais necessidades do mercado de trabalho do país”; e ainda e o projeto de resolução que recomendava ao Governo a suspensão imediata da “emissão de autorizações de residência, até que todos os pedidos pendentes sejam resolvidos”.

Nos restantes projetos do Chega (três), os dois partidos que sustentam o Governo optaram pela abstenção.

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Avaliação do Polígrafo:

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