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André Ventura: “Itália é dos países que mais tem recebido refugiados ucranianos”

Política
Este artigo tem mais de um ano
O que está em causa?
Em entrevista ao canal Now, ontem à noite, o presidente do Chega assegurou que Itália – país que tem como vice-Primeiro-Ministro Matteo Salvini, do partido de extrema-direita Liga – seria “dos países que mais tem recebido refugiados ucranianos”. Embora, no contexto do bloco europeu, tal possa ser verdade em termos absolutos, o país é dos que apresenta valores menos expressivos quando olhamos para a sua população.

A posição dos partidos que farão parte do Patriotas pela Europa – que pretende assumir-se como o novo grupo político europeu que junta partidos de extrema-direita – acerca do apoio a prestar à Ucrânia na sequência da invasão russa foi um dos temas em destaque na entrevista concedida esta terça-feira por André Ventura, presidente do Chega, ao canal Now.

Segundo afirma, o “apoio à Ucrânia” é, para o Chega, um elemento “essencial” no âmbito deste debate, tendo notado ainda que o fim da ajuda militar ao país invadido pela Rússia seria uma “linha vermelha” para o partido. “Para nós, para o Vox e, inclusivamente, o partido Rassemblement National já manifestou claramente o seu apoio à Ucrânia”, acrescentou Ventura.

No seguimento do seu raciocínio, destacou ainda que uma postura semelhante tem sido detida pelo partido italiano de extrema-direita Liga – que também integrará o Patriotas pela Europa –, liderado pelo atual vice-primeiro-ministro italiano, Matteo Salvini. Até porque, acrescentou, “Itália é dos países que mais tem recebido refugiados ucranianos, para os apoiar”. Confirma-se o argumento de André Ventura?

Os mais recentes dados do Eurostat, partilhados esta terça-feira, ilustram que, no final de maio, “os países da UE [União Europeia] que acolheram o maior número de beneficiários de proteção temporária provenientes da Ucrânia foram a Alemanha (1.332.515 pessoas; 31,3% do total da UE), a Polónia (953.255; 22,4%) e a República Checa (356.405; 8,4%)”. No quarto lugar da lista situa-se, precisamente, Itália, com 165.130 casos dessa natureza identificados até então. 

No leque dos 27 Estados-membros, apenas Espanha é desconsiderada desta análise – por falta de dados atualizados no período mencionado – embora já no final de abril contabilizasse um número superior (202.310) ao registado mais recentemente por Itália. Pelo que, na verdade, este país deverá ocupar o quinto lugar da tabela.

Porém, se tivermos em conta a população de cada país, os números mostram-nos uma realidade distinta. Assim, “os números mais elevados de beneficiários de proteção temporária por cada mil habitantes no final de maio de 2024 foram observados na Chéquia (32,9), na Lituânia (27,2) e na Polónia (25,9), enquanto o valor correspondente a nível da UE foi de 9,5 por cada mil habitantes”. 

De acordo com a base de dados do Eurostat, Itália fica, até, bem abaixo da média (2,8 beneficiários do estatuto de proteção temporária por cada mil habitantes) – com valores que apenas superam, no contexto da União Europeia, os de França (0,91). À semelhança do que aconteceu com o indicador anterior, também Espanha não foi aqui considerada – embora, no mês de abril, também este Estado tivesse recebido um maior número de refugiados ucranianos em proporção com a população nacional do que Itália.

Perante estes dados, consideramos que a afirmação de André Ventura é descontextualizada.

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Avaliação do Polígrafo:

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