Questionado sobre se uma recente notícia indicando que o número de beneficiários do RSI baixou pode ser um indício de que o problema da “subsidiodependência” – elemento central do discurso político do Chega e respetivo líder – estará a ser resolvido, André Ventura respondeu que “não, por duas razões”.
“O que essa notícia significa é que, no cômputo global, do valor orçamental que é atribuído, em percentagem, este valor é mais baixo do que nos últimos anos. Não diz nem que há menos beneficiários líquidos, nem que os problemas que temos com essa ‘subsidiodependência’ acabaram”, garantiu Ventura.
Tem fundamento?
Não. A notícia em causa destaca precisamente que “o universo de beneficiários do RSI é cada vez mais pequeno. O subsídio chega a pouco mais de 172 mil pessoas e o valor médio da prestação roça os 155,96 euros.
De acordo com o “Jornal de Notícias”, que se baseou em dados da Segurança Social e da Direção-Geral do Orçamento, “só no último ano, entre janeiro de 2024 e 2025, registaram-se menos 6.077 beneficiários e nos primeiros seis meses do ano continuaram a baixar consecutivamente. A tendência mantém-se desde 2010, quando na altura o subsídio chegava a 525.662 pessoas. Para encontrar um universo mais reduzido é necessário recuar até 2006.”
Ou seja, a notícia demonstra exatamente aquilo que Ventura nega que tenha demonstrado. O número de beneficiários de RSI é o mais baixo desde 2006.
No final de 2024, o Polígrafo já tinha verificado essa evolução do número de beneficiários do RSI, concluindo que tinha diminuído de 180.875 em dezembro de 2023 para 177.671 em outubro de 2024. Ou comparando com o mês homólogo, em outubro de 2023 registava-se um total de 179.099 beneficiários.
Os últimos dados estatísticos da Segurança Social comprovam que a alegação de Ventura é claramente falsa.
_______________________________
Avaliação do Polígrafo:

