"Este já não é o maior Governo da História, é o segundo maior. É o segundo maior a seguir a alguém que se chamava António Costa, que teve o Governo maior da História de Portugal. Há porém um dado curioso sobre este Governo, é que tem os mesmos governantes que teve José Sócrates no último Governo. E isso talvez seja um exemplo do que venhamos a ter aqui neste Governo", afirmou ontem André Ventura, deputado e líder do Chega, no debate parlamentar sobre o Programa do Governo.

De facto, o recém-empossado XXIII Governo Constitucional, incluindo o primeiro-ministro António Costa, é constituído por 18 ministros e 38 secretários de Estado. No total são 56 governantes. O XXII Governo Constitucional, liderado pelo mesmo Costa, na sua versão inicial tinha 20 ministros (incluindo o primeiro-ministro) e 50 secretários de Estado, perfazendo um total de 70 governantes. O mais numeroso desde 1974, ao nível de ministros e secretários de Estado.

Mas confirma-se que o atual Governo com 56 membros "é o segundo maior" de sempre?

Não. O IX Governo Constitucional (1983-85), liderado pelo primeiro-ministro Mário Soares e baseado numa coligação pós-eleitoral entre o PS e o PSD (o denominado "Governo do Bloco Central"), começou por ter 17 ministros (incluindo o primeiro-ministro) e 39 secretários de Estado, correspondendo a um total de 56 governantes. Mas logo na primeira remodelação, cerca de um mês após a tomada de posse, ficou com 17 ministros (incluindo o primeiro-ministro) e 40 secretários de Estado, totalizando assim 57 governantes.

Outro exemplo, o VIII Governo Constitucional (1981-83), liderado pelo primeiro-ministro Francisco Pinto Balsemão e baseado numa coligação pré-eleitoral entre o PSD, o CDS e o PPM (a denominada "Aliança Democrática"), tomou posse com 15 ministros (incluindo o primeiro-ministro) e 45 secretários de Estado, num total de 60 governantes.

Mais recentemente, o XIV Governo Constitucional (1999-02), liderado pelo primeiro-ministro António Guterres e baseado numa maioria relativa parlamentar do PS (de 115 deputados, a apenas um de distância da maioria absoluta), dispunha inicialmente de 18 ministros (incluindo o primeiro-ministro) e 42 secretários de Estado, chegando a uma soma de 60 governantes.

Quanto ao XVI Governo Constitucional (2004-05), liderado pelo primeiro-ministro Pedro Santana Lopes em substituição de José Manuel Durão Barroso (que se demitiu para assumir o cargo de presidente da Comissão Europeia), iniciou funções com 20 ministros (incluindo o primeiro-ministro) e 37 secretários de Estado, perfazendo 57 governantes no total.

Ou seja, a alegação de Ventura é falsa. O atual Governo, com um total de 56 membros (ministros e secretários de Estado), não é o segundo maior de sempre. E mesmo que o líder do Chega estivesse a referir-se somente ao número de ministros, excluindo os secretários de Estado, também não é o segundo maior de sempre.

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