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André Ventura diz que BE e PCP “suportaram os últimos oito ou sete Orçamentos” do Governo do PS. Confirma-se?

Política
O que está em causa?
Esta tarde no Parlamento, em debate sobre o estado do Serviço Nacional de Saúde, o líder do Chega lançou duras críticas ao anterior Governo do PS e, em particular, à ministra da Saúde que agora se candidata ao Parlamento Europeu. Mas atribuiu também responsabilidades ao BE e ao PCP que, alegou, "suportaram os últimos oito ou sete Orçamentos". Verdadeiro ou falso?
© Agência Lusa / José Sena Goulão

Na perspetiva de André Ventura, deputado e líder do partido Chega, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) foi como que “destruído” nos últimos oito anos de governação do PS. Ao discursar num debate precisamente sobre o estado do SNS, a decorrer esta tarde no Parlamento, fez questão de apontar o dedo a Marta Temido, ex-ministra da Saúde que agora encabeça a lista de candidatos do PS ao Parlamento Europeu, acusando-a de ser responsável por “tantas mortes na República” e apelando a que os portugueses lhe mostrem “não um cartão amarelo, mas um cartão vermelho” nas próximas eleições.

Após um breve diagnóstico repleto de expressões dramáticas sobre a atual situação do SNS – “basta uma visita a um hospital para ver que às vezes nem papel há para passar receitas”, por exemplo -, Ventura foi mais além do PS na atribuição de responsabilidades políticas. Mas quem é que suportou os últimos oito Orçamentos, ou sete, do PS? Quem é que permitiu que, ao fim de sete anos, a Saúde se fosse degradando atrás de degradando, se não os companheiros habituais do PS? O PCP, o BE e ocasionalmente o Livre”, sublinhou.

Para o líder do Chega, “é deles também esta responsabilidade. E o país não deve esquecer, agora que começa um novo momento de gestão da Saúde, quem são os grandes responsáveis da destruição da Saúde“.

Nesse mesmo sentido concluiu: “É que, meus amigos, se este Governo que agora começou ainda nada fez pela Saúde, já sabemos que quem esteve antes destruiu a Saúde em Portugal. E é responsabilidade destes senhores aqui no Parlamento.”

No que respeita ao apoio do BE e PCP aos “últimos oito ou sete Orçamentos” do PS, tem razão?

Não. Desde logo porque nos três últimos Orçamentos do Estado (referentes a 2024, 2023 e 2022) tanto o BE como o PCP votaram sempre contra.

No Orçamento do Estado para 2021, os deputados do PCP (e do PEV) abstiveram-se, o que possibilitou aprovar o documento. Nessa circunstância, também o PAN e as deputadas não inscritas Cristina Rodrigues (eleita pelo Chega em 2024) e Joacine Katar Moreira (ex-Livre) optaram pela abstenção. Quanto ao Bloco de Esquerda, votou contra.

Recorde-se que a rutura total entre os ex-parceiros da “geringonça” só se materializou na votação do Orçamento do Estado para 2022, quando a oposição de BE e PCP levaram a uma dissolução da Assembleia da República e convocação de novas eleições legislativas que resultaram em maioria absoluta para o PS de António Costa.

No primeiro Orçamento do Estado pós-“geringonça”, em 2020, os bloquistas e os comunistas ainda se abstiveram. Mas o partido então liderado por Catarina Martins avançou primeiro para os votos contra logo em 2021, cabendo ao PCP a viabilização através da abstenção nesse ano.

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Avaliação do Polígrafo:

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