Em entrevista ontem à noite na CNN, o líder do Chega defendeu mais uma vez que os portugueses devem poder reformar-se mais cedo e garantiu que há “cortes” que permitiriam fazê-lo. Desde logo ao nível do Rendimento Social de Inserção que, referiu André Ventura, já custou até hoje “8,5 mil milhões de euros”. Será verdade?
De acordo com os dados compilados na Pordata, desde a sua criação em 1996 (ainda sob a denominação inicial de Rendimento Mínimo Garantido) até 2024 (últimos dados disponíveis), a Segurança Social despendeu, de facto, um total de cerca de 9 mil milhões de euros com esta prestação social… mais até do que o valor referido por André Ventura.
A segunda parte da declaração de André Ventura já é mais problemática: o Governo estimou em 2,5 mil milhões de euros o custo anual de baixar a idade da reforma para os 65 anos. Se dividirmos os 9 mil milhões de euros pelo custo anual de 2,5 mil milhões, o dinheiro do RSI acumulado ao longo de quase 30 anos pagaria cerca de 3,6 anos dessa medida… mas Ventura comparou grandezas de natureza distinta.
O valor associado ao RSI é uma despesa acumulada ao longo de 28 anos (anualmente o país “gasta” à volta de 350 milhões de euros com esta prestação)… já baixar a idade da reforma é uma despesa permanente (2,5 mil milhões todos os anos).
Ou seja, mesmo que Ventura lograsse eliminar o RSI por completo, o dinheiro “poupado” anualmente cobriria apenas 13 a 14% do custo anual de baixar a reforma. A afirmação do líder do Chega é, por isso, imprecisa: sim, o valor gasto até hoje em RSI cobriria (sensivelmente) o custo isolado de baixar a idade da reforma durante quase quatro anos… mas a verdade é que a comparação mistura uma despesa acumulada de décadas com um custo anual permanente, uma informação que Ventura não teve o cuidado de referir.
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Avaliação do Polígrafo:
