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André Ventura: “Alívio fiscal do PSD em salário de 900 euros é de 1,44 euros”

Política
O que está em causa?
O Líder do Chega fez ontem à tarde uma simulação do alívio fiscal do Governo AD em salários de 900 e 1.500 euros. Segundo André Ventura, os portugueses que recebem estas quantias terão uma redução no seu IRS que, em Lisboa, pode mesmo não chegar para pagar um café. É verdade?
© José Sena Goulão/EPA

Durante o debate de ontem à tarde sobre o Programa de Estabilidade apresentado pelo Governo, o líder do Chega classificou como insuficientes as reduções ao nível do IRS e destacou que, num salário de 900 euros, o alívio não chega a atingir um euro e meio por mês.

“A proposta apresentada pela AD traz uma evidência clara: quem beneficiará mais da descida de IRS será o 6.º, o 7.º e o 8.º escalão de IRS (…) Vamos ser sérios: isto não é um choque fiscal. É um ‘remendozinho’ fiscal. Para 900 euros por mês, sabem qual é o alívio? De 1,44 euros. Há sítios em Lisboa em que nem um café paga. Sabem qual é para 1.500 euros? É de 4 euros”, simulou André Ventura.

Mais à frente, diria aos colegas deputados: “Ao fim do dia, os portugueses quererão é saber quanto é que baixou o IRS. E vão saber uma coisa: que este Governo não quis baixar os impostos a quem ganha menos. Não se riam, srs. deputados. Eu sei que não é o vosso escalão de IRS, mas é o de muitos que nos estão a ver.”

Desde que o Executivo de Luís Montenegro apresentou a proposta de lei para redução das taxas de IRS até ao 8.º escalão, várias consultoras têm feito simulações do impacto das medidas nos salários reais dos portugueses. O próprio Governo fê-lo, no documento disponibilizado ao país, no que toca à diminuição do peso deste imposto no rendimento mensal das famílias para salários de 1.000, 1.500 e 2.000 euros.

Tal como o Polígrafo já verificou – por força da progressividade do IRS – os rendimentos mais baixos têm, naturalmente, descidas pouco significativas. Entre eles está o salário mensal mencionado por André Ventura – 900 euros – que deverá ver uma variação do rendimento líquido nos 0,08% (contas da consultora PwC para o “Jornal de Negócios“).

Este exemplo é para um casal com um filho e envolve um alívio de apenas 1,44 euros por mês. No caso de um solteiro sem dependentes e com igual rendimento bruto, o alívio é ainda menor. Segundo as simulações da Ilya, enviadas ao Polígrafo por Luís Leon, a poupança deverá ser de apenas 72 cêntimos mensais. 

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Avaliação do Polígrafo:

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