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André Ventura alerta para perigo do “Partido Islâmico Português”… que nem sequer existe?

Política
O que está em causa?
Ao contrário do que André Ventura faz crer no seu último "tweet", partilhado esta manhã, Portugal não está a ignorar "sinais" dados pela existência de um "Partido Islâmico Português". A página para que o líder do Chega alerta não representa uma força política. Nem poderia.

O líder do Chega mostrou-se esta manhã preocupado com “sinais”, nomeadamente alguns chegados do Facebook, onde uma página do “Partido Islâmico Português” o chamou à atenção. “Se ignorarmos estes sinais só para sermos politicamente corretos, isto vai correr mal… É tempo de acordar”, escreveu André Ventura sobre… uma conta paródia.

No Facebook, o “Partido Islâmico Português” apresenta-se como tendo o objetivo de “mostrar aos portugueses que a religião muçulmana é uma religião de paz”, mas todas as publicações – desde 2018 – denotam um tom irónico que acaba por se revelar ainda mais nas caixas de comentários.

Poucas horas antes da partilha de André Ventura, a página, que já não publicava nada desde 2019, escreveu no Facebook: “Boa noite caros portugueses seguidores de Allah! Acontece que a nossa página tem vindo a receber alguma atenção ultimamente. Infelizmente há anos tivemos de interromper este projeto, mas estamos de volta, e em maior número do que nunca! Objetivo: um deputado na assembleia em 2018. Allahu akbar!”

Mais tarde, a resposta ao líder do Chega: “O senhor André Ventura não deveria ter medo de nós! Ambicionamos ser um partido democrático como qualquer outro! Desafiamos o Dr. André Ventura para um debate sobre o Islão, os seus valores e a sua aplicação na política! Alá é grande!”

No partido de direita radical, Ventura não foi o único a fazer publicações deste tipo. Rui Paulo Sousa, deputado à AR, escreveu o seguinte: “Portugal é um Estado Laico em que existe a separação entre a Política e a Religião, e se existisse algum Partido de carácter Religioso em Portugal seria de base Cristã, de acordo com a nossa tradição Judaico-Cristã, e não Islâmica. Não é minimamente aceitável ou sequer admissível que possa existir um Partido Islâmico Português. E se ignoramos estes sinais só para sermos politicamente correctos, isto vai correr mal…e um dia será tarde demais. É tempo de acordar!” Em baixo, mais um dos “sinais”: um meme publicado pela página em novembro de 2019.

Os registos do Tribunal Constitucional e da Comissão Nacional de Eleições são claros: não existe nenhum Partido Islâmico Português. Para mais, segundo a lei dos partidos políticos, “a denominação [de um partido] não pode basear-se no nome de uma pessoa ou conter expressões diretamente relacionadas com qualquer religião ou com qualquer instituição nacional”, além de que “o símbolo não pode confundir-se ou ter relação gráfica ou fonética com símbolos e emblemas
nacionais nem com imagens e símbolos religiosos“.

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Avaliação do Polígrafo:

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