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André Ventura, agora contra “censura nas redes sociais”, prometeu em 2020 prisão para quem insultasse polícias ou magistrados no X?

Política
O que está em causa?
Há mais ou menos cinco anos, Ventura avisava: "Se o Chega vencer as eleições, o Twitter deixará de ser a bandalheira que é." Agora, acusa de censura o projeto de lei do PSD que impõe restrições ao uso de redes sociais por menores de 16 anos.
© António Cotrim/Lusa

Num vídeo divulgado no Instagram esta quinta-feira (12 de fevereiro), André Ventura partilhou a sua opinião sobre o projecto de lei do PSD que prevê restrições ao uso de redes sociais por menores de 16 anos: “Vai hoje ao Parlamento uma coisa que é verdadeiramente censura e controlo nas redes sociais. E é por isso que justifica uma paragem no acompanhamento permanente que estamos a fazer da situação do país para vos dizer isto: isto mostra [o PSD] que não é gente de confiança, porque aproveitaram um contexto destes para levar a discussão hoje no Parlamento uma lei que, supostamente, seria para proteger as crianças das redes sociais, mas que mais não é do que para criar censura e para controlar o que eles não conseguem controlar: a vossa liberdade.

Há apenas cinco anos, no então “Twitter”, a opinião de Ventura era ligeiramente diferente. Em 2020, defendeu inclusive que houvesse mais censura na rede social.

“E preparem-se, porque se o Chega vencer as eleições, ofender polícias, magistrados ou guardas prisionais vai dar mesmo prisão. E o Twitter deixará de ser a bandalheira que é, pelo menos em Portugal”, escreveu a 2 de junho desse ano.

Há mais: em setembro e outubro de 2022, o Chega votou mesmo a favor de um parecer da Comissão de Assuntos Europeus e de um relatório da Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, respetivamente, que deixavam bem claro que o “Chat Control”, uma proposta da União Europeia que visa combater o abuso sexual infantil, não violava o “princípio da subsidiariedade”, ou seja, que a União Europeia deveria intervir neste tópico (nomeadamente através do acesso livre a conversas, mensagens e e-mails dos utilizadores por forma a detetar possíveis casos de abuso).

O parecer foi aprovado com o voto contra do Grupo Parlamentar do IL e ausência do PCP e BE. Já o relatório foi igualmente aprovado com voto contra dos liberais, abstenção do PCP e ausência do BE, PAN e Livre. De lembrar que o Chega teve ainda oportunidade, em julho de 2022, de pedir ao Governo para rejeitar a proposta de regulamento da Comissão Europeia, através de uma iniciativa dos liberais, mas não esteve presente na votação.

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Avaliação do Polígrafo:

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