O grounding ou earthing é uma suposta técnica terapêutica que assenta no princípio de conectar o corpo à terra - ou a alguma superfície natural - através dos pés. Para os defensores ou promotores desta técnica, andar descalço é um método natural de absorver energia magnética que gera vários benefícios para a saúde.

Em artigo partilhado nas redes sociais destaca-se que o ato de andar descalço reduz o stress, fortalece o sistema imunológico e contribui para o aumento da circulação dos pés e pernas, algo que, por sua vez, previne ou diminui o aparecimento de varizes.

"Andar sem calçado ativa a circulação do sangue nas artérias e veias e ajuda a desinflamar as pernas", sublinha-se no texto da publicação em causa.

Confirma-se que andar descalço previne ou diminui o aparecimento de varizes e reforça o sistema imunológico?

Questionado pelo Polígrafo, Nuno Marques, cardiologista no Centro Hospitalar Universitário do Algarve e professor na Faculdade de Medicina da Universidade do Algarve, esclarece que "é verdade que andar contribui para diminuir o aparecimento de varizes, mas não é verdade que o facto de o fazer descalço tenha qualquer influência".

O cardiologista salienta que "quando se caminha, contraem-se os músculos das pernas, ajudando no retorno do sangue que está nas veias para o coração, quer se esteja descalço ou não".

Além das varizes, no artigo também se alega que andar descalço "fortalece o sistema imunológico" e providencia uma "maior resistência" às constipações.

Questionado pelo Polígrafo, João Júlio Cerqueira, médico especialista de Medicina Geral e Familiar e criador do projeto Scimed, adverte que "andar descalço poderá, no limite, aumentar a probabilidade de ter mais infeções, já que o arrefecimento do corpo, principalmente das vias aéreas, parecer ser um factor de risco para infeções respiratórias".

O médico conclui que este seria "um ponto contra a prática e não a favor dela".

De resto, Cerqueira sublinha ainda que “o earthing é um tipo de terapia alternativa sem qualquer tipo de provas dadas, desde a ausência de plausibilidade biológica até à inexistência de estudos científicos clínicos que demonstrem o seu benefício".

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

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Falso: as principais alegações dos conteúdos são factualmente imprecisas; geralmente, esta opção corresponde às classificações "Falso" ou "Maioritariamente Falso" nos sites de verificadores de factos.

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