“Tadinho! Quem lhe enfiou aquele capacete prussiano?”. Este foi o comentário feito pela candidata presidencial Ana Gomes num vídeo publicado na conta de Twitter da Juventude Popular, na passada terça-feira. Neste, o secretário-geral da Juventude Popular de Sintra critica Mamadou Ba e explica por que motivo o CDS defende a saída do ativista do grupo de trabalho contra o racismo.

A deportação de Ba foi exigida numa petição assinada por quase 15 mil pessoas. O ex-assessor parlamentar do BE e dirigente da associação SOSRacismo é acusado de ter proferido “declarações caluniosas no Twitter contra o militar mais condecorado da História portuguesa, o tenente-coronel Marcelino da Mata, um dia depois do seu falecimento", vítima de Covid-19. 

O comentário da antiga eurodeputada do PS foi propagado pelo Twitter e alvo de muitas críticas, incluindo do presidente do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos - o líder centrista acusou a socialista de repetir um comportamento que criticou anteriormente. Ana Gomes, que defendeu que nenhum Homem deve comentar as escolhas estéticas de uma Mulher para a denegrir, acha agora que pode comentar aspectos físicos e estéticos de um jovem para o denegrir. É a esquerda gourmet que temos!”, escreveu na referida rede social, terminando a publicação com uma pergunta: “Qual é a cor da hipocrisia para lhe oferecer um batom?”

A crítica de Francisco Rodrigues dos Santos remete para uma polémica entre André Ventura e Marisa Matias, durante a campanha eleitoral para as presidenciais de 24 de janeiro, que também incluiu Ana Gomes. 

"Não quero dizer nada que me arrependa amanhã mas não está muito bem em termos de imagem, de performance. Assim com os lábios muito vermelhos como se fosse uma coisa de brincar”, disse o candidato do Chega durante uma ação de campanha em Portalegre, referindo-se a Marisa Matias.

A afirmação de Ventura originou uma onda de solidariedade com a candidata do Bloco de Esquerda: através da hashtag "#VermelhoemBelem", anónimos e figuras públicas demonstraram o seu apoio à eurodeputada bloquista, combatendo aquilo que muitos consideraram ser um ataque machista.

Ana Gomes foi uma das personalidades que se juntou ao protesto. Num vídeo de cerca de 10 segundos, sempre em silêncio, a socialista pintou os lábios de vermelho e recebeu depois um agradecimento público de Matias. 

A frase citada no tweet de Francisco Rodrigues dos Santos - “Nenhum homem deve comentar as escolhas estéticas de uma mulher para a denegrir”- não foi proferida pela diplomata, como pode ficar subentendido. Primeiro foi publicada num tweet do deputado do PS e secretário-geral da Juventude Socialista, Miguel Costa Matos. Posteriormente foi colocada num comentário ao vídeo de Ana Gomes, cuja réplica surge a acompanhar o texto de Rodrigues dos Santos. 

Esta quinta-feira, dia 18, a candidata presidencial assumiu o erro. “Retirei o meu tweet, reconheço o erro e peço desculpa ao jovem pelo que escrevi sobre o que tem na cabeça. Faço votos para que ele e quem o acompanha também retire a proposta maléfica de expulsar portugueses. Retirando lições da nossa História”, escreveu em comentário ao vídeo da Juventude Popular.

Em suma, é verdade que Ana Gomes pediu desculpa depois de fazer um comentário jocoso sobre o secretário-geral da Juventude Popular de Sintra. A antiga eurodeputada socialista foi muito criticada, inclusive por Rodrigues dos Santos. O líder do CDS-PP acusou a ex-candidata presidencial de “hipocrisia” e de usar as escolhas estéticas para denegrir outrem, um comportamento contra o qual Ana Gomes se posicionara antes.

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