"No PS não há socialistas (há muito poucos, contam-se pelos dedos de uma mão), o que há é um gang de vigaristas! Quem o afirma é Ana Gomes, dirigente e eurodeputada do PS, mas Ana Gomes não afirma nada que nós já não soubéssemos, só não sabe quem é tapadinho de todo", lê-se numa publicação de 17 de julho de 2018 na página "Direita Política".

E prossegue: "Ana Gomes diz que PS se tornou instrumento de 'corruptos e criminosos'. Ó Ana Gomes! Tanta candura, de facto, comove-me! Descobriu isso agora? Quem é que não sabe que o PS é o melhor partido para os tachos, tachinhos e tachões? O PS, agora comunista, só está a seguir o que lhe vai no sangue de partido cada vez mais ideologizado desde que Mário Soares o deixou: mentira, corrupção, engano, conluio, vendido aos sindicalistas, anti-iniciativa privada, anti-liberdade e ditatorial!"

Apesar de já ter mais de um ano, esta publicação continua a circular nas redes sociais e, entretanto, vários utilizadores do Facebook denunciaram-na como falsa ou enganadora.

É verdade que Ana Gomes disse ou escreveu que "no PS não há socialistas, o que há é um gang de vigaristas"? Verificação de factos, no âmbito da parceria entre o Polígrafo e o Facebook.

Ora, não encontramos qualquer registo público de que Ana Gomes tenha alguma vez dito ou escrito algo similar, ou sequer aproximado.

A partir da leitura do texto da publicação, nomeadamente a referência segundo a qual "Ana Gomes diz que PS se tornou instrumento de 'corruptos e criminosos'", depreende-se que a citação apócrifa tenha sido inspirada num tweet que a ex-eurodeputada do PS publicou no dia 21 de abril de 2018, pouco tempo antes da realização do 22º Congresso Nacional do Partido Socialista (PS).

"O PS não pode continuar a esconder a cabeça na carapaça da tartaruga. Próximo Congresso é oportunidade para escalpelizar como se prestou a ser instrumento de corruptos e criminosos. Pela regeneração do próprio PS, da Política e do País", escreveu Ana Gomes no tweet em causa. Nada que se aproxime sequer da citação apócrifa destacada no título da publicação em análise.

Aliás, no mesmo dia 21 de abril de 2018, em declarações ao jornal "Diário de Notícias", Ana Gomes explicou que a mensagem que publicou devia "obviamente" ser vista "à luz das revelações" das reportagens da SIC sobre o ex-primeiro-ministro e ex-líder do PS, José Sócrates, acusado de corrupção no âmbito da "Operação Marquês". E também pelas suspeitas de corrupção que recaem sobre o ex-ministro da Economia, Manuel Pinho, investigado no âmbito do "caso EDP".

Concluindo, a publicação veicula falsidades (desde logo no título) e reproduz desinformação.

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Nota editorial: este conteúdo  foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam naquela rede social.

Na escala de avaliação do Facebook este conteúdo é:

Falso: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações "falso" ou "maioritariamente falso" nos sites de verificadores de factos.

Na escala de avaliação do Polígrafo este conteúdo é:

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