“A Ana Drago a dizer que a culpa da estirpe inglesa ter chegado a Portugal foi dos emigrantes do tempo da troika que vieram visitar as famílias no Natal”, lê-se num dos inúmeros tweets publicados nas redes sociais nos últimos dias.

Noutros, diz-se mesmo que a socióloga culpabilizou o antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho. “A Ana Drago diz que a culpa de termos a variante inglesa é do Passos que mandou a malta para fora. Pois eu acho que a culpa da disseminação do vírus a nível mundial é culpa de Portugal por ter sido o grande impulsionador da globalização com os Descobrimentos. Enfim…”, escreve-se em tom irónico.

Confirma-se que Ana Drago responsabilizou a troika pela entrada da variante britânica do SARS-CoV-2 em Portugal?

Durante a edição do programa O Outro Lado, da RTP 3, emitido na passada terça-feira, 2 de fevereiro, e numa altura em que se abordava o aumento de casos positivos de Covid-19 em Portugal no início do ano, Ana Drago, questionada sobre o que pensava da atuação do Governo, afirmou que  “(...) tivemos um pico de frio, tivemos a entrada da variante inglesa e, portanto, houve um momento que houve um descontrolo da pandemia e da capacidade de fazer o rastreio dos contágios e das cadeias de contágio”. A socióloga continuou a sua intervenção até que o antigo deputado do PSD José Eduardo Martins, outro dos residentes do espaço de comentário político, lhe perguntou porque tinha chegado a variante britânica a Portugal “desta maneira e não chegou a outros sítios”. A resposta de Ana Drago foi pronta: “Veio obviamente do conjunto de pessoas que trabalha no Reino Unido e veio passar as férias de Natal com a sua família. E ainda são uns milhares de portugueses”.

José Eduardo Martins insistiu: “Porque é que a variante britânica está mais presente em Portugal do que em outros sítios?”. Foi então que a antiga deputada do Bloco de Esquerda respondeu: Temos uma emigração que surgiu no tempo da 'troika' particularmente vocacionada para o Reino Unido. Todos nós conhecemos pessoas que trabalham no Reino Unido”.

Logo de seguida, a socióloga acrescentou: “Não, eu não estou a dizer que a culpa é da 'troika'. Se me deixares terminar, estou a falar de uma pandemia que se espalhou pelo país a partir do mês de janeiro e que em Portugal tem uma especial incidência. Se o ministro dos Negócios Estrangeiros devia ter sido mais firme com os voos que vieram do Reino Unido para Portugal? Sim, talvez devesse ter sido. Parece-me um bocadinho estranho que as pessoas que na altura, como tu, disseram ‘estamos no período do Natal, estamos a conseguir mais ou menos controlar a pandemia, a vida existe, a economia tem que funcionar e as pessoas serão responsáveis e adultas e tomarão conta da sua vida’ agora venham dizer que, perante um aumento do consenso de especialistas, António Costa e Marta Temido deviam terem um dedinho que adivinha e deviam saber e tomar todas as precauções e todos os cuidados e ter previsto que isto ia correr tão mal”.

Ao Polígrafo, Ana Drago explicou o alcance das suas declarações: “Temos uma emigração histórica para o Reino Unido, que acontece desde que estamos integrados na União Europeia. E houve um aumento de emigração, como todos nós sabemos e o Observatório da Emigração mostra durante a intervenção da ‘troika’ em Portugal. Mas é óbvio que eu não estou a dizer que culpa da variante inglesa é da ’troika’”, garantiu a antiga deputada. “Às vezes, uma pessoa pode fazer uma brincadeira, mas alguém acha que eu digo que a culpa desta estirpe é da ‘troika e do Pedro Passos Coelho? Não foi isso jamais que eu quis dizer”, disse, reforçando que recorreu àquela ironia por, naquele momento, estar a debater ideias com um social-democrata.

José Eduardo Martins insiste - “Porque é que a variante britânica está mais presente em Portugal do que em outros sítios?-, e é então que a antiga deputada do Bloco de Esquerda responde: “Temos uma emigração que surgiu no tempo da 'troika' particularmente vocacionada para o Reino Unido. Todos nós temos conhecemos pessoas que trabalham no Reino Unido”. 

Logo de seguida, a socióloga acrescenta: “Não, eu não estou a dizer que a culpa é da 'troika'. Se me deixares terminar, estou a falar de um pandemia que se espalhou pelo país a partir do mês de janeiro e que em Portugal tem uma especial incidência. Se o ministro dos Negócios Estrangeiros devia ter sido mais firme com os voos que vieram do Reino Unido para Portugal? Sim, talvez devesse ter sido. Parece-me um bocadinho estranho que as pessoas que na altura, como tu, disseram ‘estamos no período do Natal, estamos a conseguir mais ou menos controlar a pandemia, a vida existe, a economia tem que funcionar e as pessoas serão responsáveis e adultas e tomarão conta da sua vida’ agora venham dizer que, perante um aumento do consenso de especialistas, António Costa e Marta Temido deviam terem um dedinho que adivinha e deviam saber e tomar todas as precauções e todos os cuidados e ter previsto que isto ia correr tão mal”. 

“Temos uma emigração histórica para o Reino Unido, que acontece desde que estamos integrados na União Europeia. E houve um aumento de emigração, como todos nós sabemos e o Observatório da Emigração mostra durante a intervenção da ‘troika’ em Portugal. Mas é óbvio que eu não estou a dizer que culpa da variante inglesa é da ’troika’”, garantiu a antiga deputada. “Às vezes, uma pessoa pode fazer uma brincadeira, mas alguém acha que eu digo que a culpa desta estirpe é da ‘troika e do Pedro Passos Coelho? Não foi isso jamais que eu quis dizer”, disse Ana Drago ao Polígrafo.

No relatório “Retratos da nova e antiga emigração portuguesa” do Observatório da Emigração, publicado em 2014 e referido por Ana Drago, explica-se a dinâmica vivida no país durante o período de resgate financeiro. “A crise mundial de 2008 fez diminuir a emigração portuguesa, mas a partir de 2010, com a Europa a dar sinais de retoma, Portugal, mergulhado ainda na crise da dívida soberana, sob um programa de assistência financeira e com taxas de desemprego recorde, viu aumentar o número de saídas do país. Estima-se que, entre 2007 e 2012, deixaram o país, em média, 80 mil portugueses por ano”, lê-se no documento.

No mesmo relatório, explica-se que, entre 2001 e 2008, “oito dos dez países com mais entradas de portugueses eram europeus e que “Espanha, Suíça e Reino Unido eram os primeiros destinos da emigração portuguesa”. Depois, “o Reino Unido destronou Espanha como o principal destino de portugueses”.

Em suma, a declaração de Ana Drago é autêntica mas está a ser descontextualizada. Logo no programa, a antiga deputada do Bloco de Esquerda esclareceu a sua intenção: "“Não, eu não estou a dizer que a culpa é da troika". Uma postura reforçada em declarações ao Polígrafo, nas quais admitiu que recorreu àquela ironia por estar a debater ideias com o social-democrata José Eduardo Martins.

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Nota editorial: este conteúdo foi selecionado pelo Polígrafo no âmbito de uma parceria de fact-checking (verificação de factos) com o Facebook, destinada a avaliar a veracidade das informações que circulam nessa rede social.

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